Cultura

Morreu o artista luso-brasileiro Fernando Lemos

O artista pluridisciplinar residia no Brasil desde 1953. Tinha 93 anos.

O pintor, escultor, designer, fotógrafo e poeta Fernando Lemos morreu ontem, em São Paulo, cidade onde residia há mais de seis décadas. Tinha 93 anos. Nascido em Lisboa em 1926, o artista tinha deixado Portugal aos 27 anos, em 1953, por considerar não ser possível levar nem a vida nem a arte sob o signo do regime.

Fernando Lemos Estudou pintura e litografia na Escola de Artes Decorativas António Arroio e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Iniciou a sua atividade artística na senda do movimento surrealista, de forma mais sustentada, a partir dos anos 50. Na década anterior, contudo, tinha-se debruçado sobre a fotografia, legado que veio a ser descoberto e valorizado em Portugal já no final dos anos 70. Estas obras, que foram praticamente produzidas “no espaço de sete anos, entre 1946 e 1952, enquadradas na estética e no léxico fotográfico surrealista”, nota o Museu Nacional de Arte Contemporânea, valeram-lhe, em 2001, o Prémio Nacional de Fotografia. Sophia de Mello Breyner Andersen, Arpad Szenes, Maria Helena Vieira da Silva ou Mário Cesariny contavam-se entre os retratados.

Já no Brasil deixou para trás a fotografia e dedicou-se “exclusivamente à pintura, ilustração, tapeçaria e design de pavilhões para eventos culturais”. Participou em diversas edições da Bienal de São Paulo, colecionou prémios, expôs um pouco por toda a parte e foi ainda professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Design Industrial. Em 1960, adquiriu também a nacionalidade brasileira.