Economia

EDP. Fiequimetal pede ao Governo para travar venda das barragens

Federação vai pedir reunião ao Governo com caráter de urgência e aos grupos parlamentares para mostrar o seu descontentamento em relação à operação.

O Governo não deve dar luz verde à venda das seis barragens da EDP ao consórcio constituído por Engie (com participação de 40% do capital), Crédit Agricole Assurances (35%) e Mirova – Grupo Natixis (25%) por 2,2 milhões de euros. O pedido foi feito pela Fiequimetal. “A concretizar-se esta escandalosa operação deixaria o país ainda mais dependente, do ponto de vista energético, já que o centro de decisão passaria para as mãos de um consórcio francês”, revela numa nota a que o i teve acesso.

A federação ligada à CTGP já transmitiu o seu descontentamento em relação ao negócio ao secretário de Estado de Energia no dia 15 de novembro, mas diz que face à inatividade do Governo vai pedir nova reunião ao Executivo com caráter de urgência e também aos grupos parlamentares. E nem a garantia do ministro do Ambiente de analisar a venda de “barragem a barragem” parece satisfazer a Fiequemetal.

A estrutura sindical aponta também o dedo à elétrica portuguesa. “Não se pode aceitar que a administração da EDP esteja a afastar-se, cada vez mais, dos princípios que nortearam a criação da empresa e que esta se esteja a tornar uma central de compra e venda de ativos, em vez de uma empresa de serviço público de eletricidade”.

A federação mostra-se ainda preocupada com o futuro dos trabalhadores, duvidando da garantia que foi dada pela empresa liderada por António Mexia de que estavam garantidos os direitos dos trabalhadores, incluindo o direito de optarem por continuar na empresa. “Mas há razões para esperar que as garantias da EDP não tenham em conta as necessidades e os anseios dos trabalhadores para o seu futuro. Como diz a lei, todos os direitos estarão garantidos por 12 meses. Mas e depois? A que condições laborais estarão os trabalhadores sujeitos na nova empresa? Será que esta vai manter todos os direitos que os trabalhadores agora têm?”, questiona a mesma nota a que o i teve acesso. 

E deixa um recado: “A Fiequimetal e os seus sindicatos apelaram aos trabalhadores para que não cedam a manobras e contestem tal decisão, para o que contam com o apoio sindical”.

Ainda na quinta-feira, o presidente executivo da EDP, António Mexia, afirmou que o Governo ainda não tinha aprovado essa operação, mas garantiu estar confiante de que o negócio reunia os requisitos para receber luz verde. “O Governo português, através dos órgãos competentes, tem de autorizar o negócio. Essa transação depende de autorizações regulatórias. Estamos confiantes porque, normalmente, é posta em causa a credibilidade técnica […] e também financeira do comprador, que [neste caso] é inquestionável”, afirmou António Mexia. 

Na segunda-feira, a Moody’s veio afirmar que a venda destas seis barragens não só é positiva para o rating da EDP como também irá permitir melhorar o seu perfil de risco, na medida em que a percentagem dos resultados referente a atividades reguladas e contratadas aumentará para 80% do EBITDA. Em relação ao perfil de risco da empresa, garante que deve registar uma melhoria modesta. A agência de notação lembrou ainda que a alienação está “totalmente em linha” com o plano estratégico para 2019/20, apresentado em março.