Politica

Marcelo quer uma alternativa a Costa

Presidente criticado por sugerir que o orçamento deve ser aprovado à esquerda. ‘Não é aceitável que tente influenciar os deputados’. 

O Presidente da República pediu esta semana «clareza» na vida política, ou seja, o PS deve continuar a governar com os partidos de esquerda e a direita deve começar a preparar uma alternativa à ‘geringonça’. Numa altura em que o PSD se prepara para eleger o próximo líder, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que «é bom haver uma área de governação tendencialmente à esquerda e haver uma alternativa que se vá formando de centro-direita e direita para o futuro».

Marcelo referia-se à aprovação do Orçamento do Estado para 2020 e manifestou-se favorável a que o documento seja viabilizado com o apoio dos partidos de esquerda, como aconteceu nos últimos quatro anos. Caso contrário, explicou o chefe de Estado na véspera de Natal, teriam de ser encontradas «soluções pontuais» e «isso traz um grau de imprevisibilidade maior para o sistema». 

Não é ainda claro que o orçamento seja aprovado com o apoio da esquerda e os socialistas têm outras possibilidades nesta legislatura. Os votos dos deputados do PSD/Madeira, do PAN e da deputada do Livre seriam suficientes para que o documento fosse viabilizado sem o apoio da esquerda.Essa não é, porém, a solução desejada por António Costa, que vai ainda tentar negociar com os antigos parceiros. 

 

Marcelo abusou dos poderes?

O Presidente da República foi alvo de críticas por sugerir que o Orçamento do Estado para 2020 deve ser aprovado pelos partidos de esquerda. Pacheco Pereira considera que a intervenção do chefe de Estado é «abusiva em relação à função presidencial». No programa  Circulatura do Quadrado, na TVI, o social-democrata defendeu que «a estabilidade pode ser conseguida de várias maneiras. Alfredo Barosso, chefe da Casa Civil do Presidente da República Mário Soares, vai mais longe e defende que os recados enviados por Marcelo mostram que não tem «a noção exacta dos limites que a Constituição impõe ao exercício dos seus poderes». Para o fundador do PS, não é aceitável que o chefe de Estado «tente influenciar escandalosamente o sentido de voto dos deputados» como fez Marcelo.