Internacional

Antevisão 2020. O que esperar em 2020?

A julgar por 2019, o próximo ano pode ser conturbado. Protestos, greves, eleições, impasses políticos e crise climática. 

Hong Kong

Luta pela democracia

Poucas coisas surpreenderam mais em 2019 do que a resiliência e consistência da luta dos cidadãos de Hong Kong pela democracia.  A região administrativa especial tornou-se um modelo de luta e de tática de protesto em todo o globo. Mesmo no Natal, os protestos decorreram como sempre, por isso pode-se esperar que os manifestantes continuem nas ruas em 2020. Mais difícil de prever é maneira como Pequim vai decidir lidar com a crise política no próximo ano.

 

Argélia

Não ao regime militar 

Em fevereiro de 2019 os manifestantes conseguiram afastar Abdelaziz Bouteflika, que era Presidente há 20 anos mas já não falava em público há cinco. Mas isso não foi o suficiente para o movimento Hirak. Os manifestantes querem dar a volta ao regime que manda no país desde a independência de França, em 1962 – um misto de elites militares, políticas e económicas. Por isso rejeitaram as eleições presidenciais do mês de dezembro, tendo apelado ao boicote eleitoral.  Fica por saber com que legitimidade Abdelmadjid Tebboune, eleito Presidente, vai conduzir o país.

 

Israel

Netanyahu dá tudo para permanecer no poder 

Israel encontra-se num impasse político nunca antes visto, num país criado em 1948. Resultado do sistema eleitoral e partidário israelita, praticamente todos os governos têm de ser formados por coligação. Depois de duas eleições em 2019, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita no poder há mais tempo, não conseguiu encontrar um parceiro para o Executivo. A enfrentar acusações de corrupção, 2020 pode muito bem ser o último ano de Netanyahu. A próxima ida às urnas será a 2 de março. 

 

França

Macron e as pensões

Com as greves gerais de dezembro, Emmanuel Macron pode ter um ano 2020 difícil. O Presidente de França quer reformar o complexo sistema de pensões, unificando os 42 regimes num só gerido pelo Estado. Mas os sindicatos temem que o plano de Macron acabe por obrigar os trabalhadores franceses a trabalhar além da idade da reforma – em França é aos 62 anos – para receber o mesmo rendimento sobre o atual sistema. 

 

Greves climáticas

Vieram para ficar

O movimento Sextas-feiras pelo Futuro, criado por Greta Thunberg em agosto de 2018, inspirou milhões de jovens, da Austrália ao Reino Unido. O combate por uma solução para a crise climática ganhou novos contornos, rostos,  aderentes e apoiantes. Cimentou-se entre os mais novos, que tornaram a luta num combate geracional. Em 2020, é quase certo que as greves climáticas continuem. 

 

Chile

Nova constituição

Depois de cerca de 15 mil detenções, quase 30 mortos e 346 pessoas com ferimentos oculares, o Chile vai a referendo, a 26 de abril, para decidir se quer uma nova constituição. Segundo as sondagens, a grande maioria dos chilenos quer rasgar a constituição dos tempos de Pinochet. Caso isso se reflita no plebiscito, resta saber como decorrerá o processo: elegem uma assembleia constituinte para escrever o documento ou haverá uma convenção mista de cidadãos e legisladores? 

 

Catalunha

Independentismo

A crise na Catalunha não é nova, mas intensificou-se em 2019 com a prisão dos líderes responsáveis pela realização do referendo de independência. Uma maré de gente independentista tomou as ruas contra a sentença, reavivando o movimento de auto-determinação. Por um lado, catalães querem sentar-se à mesa. Por outro, Madrid nem quer ouvir falar num plebiscito. Carles Puigdemont, antigo presidente da Generalitat, continua entretanto exilado na Bélgica.