Internacional

Afegão percorre 24 quilómetros por dia para levar filhas à escola

Mia Khan sonha que a sua filha Rozie, de 12 anos, possa vir a ser a primeira médica da aldeia. 

A história de Mia Khan, um homem que vive na província de Paktika, no Afeganistão, está a ser partilhada em todo o mundo. Tudo devido ao seu esforço para que as suas três filhas consigam andar na escola e possam estudar.

Khan faz cerca de 24 quilómetros, todos os dias, para levar as meninas de 8, 10 e 12 anos à escola de Nuraniya, visto ser obrigatório as crianças serem acompanhadas até ao estabelecimento por um adulto, devido à falta de segurança no país.

“A ausência de segurança é uma realidade para quem vive no Afeganistão. Não podemos passear em segurança, os nossos familiares não podem viajar pela cidade com facilidade e os nossos filhos não podem ir sozinhos para a escola”, conta Mia Khan ao site Reporterly.

O pai das meninas leva-as na sua mota até Nuraniya, todas as manhãs, percorrendo 12 quilómetros. Depois, espera por elas perto da escola e faz a viagem de regresso a casa, percorrendo mais 12 quilómetros.

Mia Khan considera que educar as suas filhas é um dever. "Sou analfabeto e vivo com um salário minímo mas a educação das minhas filhas é muito valiosa para mim porque não há nenhuma médica na nossa zona. É o meu maior desejo: educar as minhas filhas como os meus filhos”, indicou, citado pelo Comité Sueco para o Afeganistão (SCA), uma ONG que defende a inclusão feminina no Afeganistão e que homenageou o pai nas redes sociais, através de uma publicação 

Mia Khan, acredita que “o papel das mulheres na sociedade tem tanto valor como o dos homens” e sonha que a sua filha Rozie, de 12 anos, possa vir a ser a primeira médica da aldeia, um desejo partilhado também pela menor. “Eu sou tão feliz por estudar, estou no sexto ano, este ano. O meu pai ou o meu irmão trazem-nos numa mota todos os dias e quando saímos, levam-nos de volta”, disse Rozie. 

Na semana passada, o ministro da Educação do país, Mirwais Balkhi, homenageou Khan e apelidou-o de “herói da educação”. Além disso, o ministro anunciou que devido aos feitos de Mia Khan, o governo iria construir uma escola na sua aldeia e dar-lhe o seu nome, através de um comunicado, citado pelo South China Morning Post.