Economia

Montepio. Pedro Leitão nomeado CEO

Com esta nomeação é posto um ponto final no impasse na liderança da instituição financeira que, desde fevereiro, contava com Dulce Mota como CEO interina. 

 

Pedro Leitão foi nomeado esta quinta-feira CEO do Banco Banco Montepio. O nome foi aprovado em conselho de administração e, de acordo com a instituição financeira, o presidente da comissão executiva do banco “terá como missão central realizar plenamente o processo de transformação em curso no Banco Montepio, e inovar, com o propósito de tornar a instituição mais eficiente, digital e competitiva, retomando o caminho do crescimento”. 

Com esta nomeação é posto um ponto final no impasse em torno da liderança do Montepio que, desde fevereiro, contava com Dulce Mota como CEO interina. O mandato do novo presidente termina a 2021. 

Recorde-se que, Pedro Leitão foi a pessoa escolhida para liderar a instituição financeira depois de Pedro Gouveia Alves ter pedido para ser retirado o seu nome para ser o futuro CEO da instituição financeira. Tal com o SOL avançou, o atraso na avaliação da idoneidade e as exigências do Banco de Portugal levaram-no a tomar essa decisão. 

O novo CEO está desde 2015 no Banco Atlântico Europa. Antes disso, foi administrador do Banco Millennium Atlântico, em Angola, entre 2011 e 2014, e foi ainda partner da Delloite, entre 2001 e 2011. Além da indigitação de Pedro Leitão, em cima da mesa estão ainda como administradores não executivos José Nunes Pereira (reformado do Banco de Portugal) e António Egídio dos Reis (reformado da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões).

Desafios

Cabe ao novo presidente a recuperação dos resultados do banco. Nos primeiros nove meses do ano passado, o Montepio registou um resultado líquido consolidado de 17,7 milhões de euros. Os números indicam uma quebra de 21% nos lucros face ao período homólogo – 22,4 milhões –, explicada pela menor contribuição do Finibanco Angola em 11,3 milhões e pelo aumento do nível de impostos, em 27 milhões.

Também equilibrar as relações entre trabalhadores e administração é outro desafio do futuro CEO. Tal como o SOL avançou, os resultados do inquérito realizado pela comissão de trabalhadores da instituição financeira foram arrasadores ao apontarem para a existência de deficiências de liderança, assim como a falta de uma definição clara e compreendida entre trabalhadores quanto à estratégia da instituição financeira. Umas conclusões que levaram o conselho de administração a comprometer-se com a Comissão de Trabalhadores a apresentar “medidas o mais urgentemente possível para colmatar algumas deficiências apontadas”.

Uma situação que, ainda assim, é desvalorizada por Carlos Tavares que numa carta enviada aos trabalhadores na semana passada a que o i teve acesso fala de “equipa trabalhadora, motivada e coesa”, acrescentando que “2019 foi um ano difícil e desafiante para o grupo Banco Montepio, em que iniciámos a execução do nosso plano de transformação, que nos continuará a guiar nos próximos anos”. No entanto, deixou a garantia de que “os resultados surgirão de forma proporcional à determinação que formos capazes de colocar na sua aplicação”.