Internacional

Isabel dos Santos acusa João Lourenço e Manuel Vicente

Empresária angolana fala em “campanha de difamação internacional”.

Isabel dos Santos acusa o gabinete do Presidente da República de Angola, João Lourenço, de ter contratado uma empresa de lóbi nos Estados Unidos para desenvolver uma campanha internacional, «que está a decorrer em Portugal e não só», de difamação e descredibilização da sua pessoa e do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

Em entrevista à RTP, na semana passada, a empresária entregou ao jornalista Vítor Gonçalves documentação que, diz, prova o envolvimento do gabinete de Lourenço na contratação de uma empresa norte-americana que, por sua vez, terá subcontratado uma empresa com sede em Malta e pertencente a cidadãos portugueses, entre os quais Pedro Pinto Ferreira, com ligações a Carlos Pinto Ferreira, detentor da Domínio Capital. Isabel dos Santos afirmou que estes «três cidadãos portugueses» são conhecidos «testas de ferro do engenheiro Manuel Vicente» e «trabalham em Portugal com a Newshold e com a Impresa nesta campanha» (que a terá como alvo).

Além daquele contrato, que terá custado quatro milhões de dólares, Isabel dos Santos diz que a Presidência angolana também contactou e contratou jornalistas estrangeiros, nomeadamente associados à Wikileaks.

A Newshold SGPS, através de sociedades suas participadas (e entretanto declaradas insolventes), foi proprietária do SOL e do i até dezembro de 2015, tendo abandonado intempestivamente os jornais sem que o seu acionista principal, o antigo banqueiro e presidente executivo do BESA Álvaro Sobrinho, tenha cumprido os seus compromissos.

A Newshold SGPS detém uma participação qualificada (de 2,404%, correspondentes a mais de quatro milhões de ações) no capital social  do grupo detentor da SIC e do Expresso, como consta dos relatórios entregues pela Impresa na CMVM.

Entretanto, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos enviou uma carta ao presidente do Parlamento e ao juiz presidente do Tribunal Constitucional de Luanda em que refuta qualquer participação tanto no processo de venda de diamantes da Sodiam e da Endiama, como no processo de venda de petróleo da Sonangol.

Na carta, a que o SOL teve acesso, José Eduardo dos Santos assegura que enquanto «Presidente da República e Titular do Poder Executivo nunca transferiu para si próprio ou para qualquer outra Entidade, dinheiro do Estado».