Economia

Novo coronavírus já chegou aos mercados

Donos da Zara estão no epicentro do surto com sete lojas em Wuhan.

O surto de um coronavírus detetado em Wuhan, na China, que já fez 26 vítimas mortais e infetou 830 pessoas, tem um impacto que não pode ser medido apenas a nível humano, mas também financeiro.

Prova disso é a desvalorização das principais bolsas mundiais - com destaque para as praças chinesas - desde o início da semana.

“O sentimento de risco leva a um desinvestimento e à queda das bolsas. E, neste caso, o risco é o de um aumento da taxa de mortalidade. Esse receio, se materializar-se numa epidemia, pode levar as pessoas a saírem menos à rua, evitarem os transportes públicos, não trabalharem, fecharem lojas, etc. estagnado a economia”, explicou ao Eco André Pires, analista da corretora XTB.

A mesma publicação sublinha também que a queda recente, verificada nos últimos dias, vem contrariar a tendência crescente das bolsas, depois de 2019 ter sido o melhor ano desde a crise do subprime em 2007.

O facto de um problema de saúde ter impacto no mundo financeiro prende-se com o facto de a reação inicial dos investidores ter sido de medo, preferindo ativos como ouro ou procurando refúgio na dívida.

Um surto desta dimensão, e com este ritmo de propagação, afeta transversalmente várias áreas da economia, como a hotelaria, as exportações, o comércio, e o funcionamento dito normal das empresas, até duvido à ausência dos trabalhadores, quer por baixa médica quer por receito de infeção.

A China é um dos principais mercados para muitas das grandes empresas mundiais, com destaque para as espanholas, que têm em Wuhan – epicentro do novo coronavírus – fábricas ou lojas. Veja-se o caso da Inditex, dona da Zara, que tem sete lojas naquela cidade chinesa, segundo o jornal espanhol Expansión. A nível mundial, só Espanha, o seu país de origem, tem mais lojas da marca do que a China.

Sublinhe-se que as autoridades chinesas já colocaram a cidade de quarentena, para diminuir o ritmo de propagação do 2019-nCov. Fora da China continental também foram detetados casos em Macau, Taiwan, Hong Kong, Tailândia, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, onde foi confirmada, esta sexta-feira, um segundo caso de infeção.