Opiniao

Dois tiros no peito de Portugal

Tenham moderação quanto à manutenção da estabilidade e do progresso de Angola e de Moçambique...

Assisti há poucos dias a uma reportagem na TV de cobertura da visita a Moçambique do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa para assistir à investidura do Presidente de Moçambique Filipe Nyusi.
Dessa reportagem ressaltaram-me dois ‘discursos’ de sentido radicalmente oposto quanto às relações de Portugal com as suas ex-colónias:

O primeiro, do Presidente Marcelo, considerando Moçambique a sua ‘segunda Pátria’ e partilhando com a população (tal como antes já tinha acontecido em Angola) sentimentos de afetividade e comunhão de interesses.

O segundo, do MNE Santos Silva (amigo do Guaidó e entusiasta do assassinato de Souleimani), que, seco e calculista (’racional’) como um fiscal da ASAE, caracterizou Portugal como um país ‘europeu’ e do ‘Atlântico Norte’ mas que se ‘sente bem’ em todos os outros lugares do mundo.

O primeiro ‘discurso’, para além de assentar numa formação humana integradora (que rejeita a exclusão de outros) e de refletir o longo período histórico de contacto e convivência de povos (a ‘herança do império’), aponta igualmente para o futuro, para a ‘irmandade’ de interesses dos diversos povos (português e das ex-colónias) como condição básica para a reconquista, por Portugal, da sua Independência e Dignidade Nacionais…

O segundo ‘discurso’ é o de um ‘cosmopolita’ serviçal dos interesses norte-americanos e das potências europeias exploradoras, para quem a Independência e Dignidade Nacionais e o sentimento Patriótico são coisas de um passado rústico, obtuso, ‘selvagem e bárbaro’. Para estes, moderninhos e civilizados, possivelmente, Moçambique e Angola são como as Bahamas ou as Seicheles, lugares para passar férias, com boas paisagens e ‘vinhos e petiscos gourmet’.

Eu, confesso o meu ‘primarismo’, continuo a sentir a Pátria como uma grande família alargada onde todos cabemos e onde todos ‘olhamos uns pelos outros’. Mas o Patriotismo não é só um ‘sentimento’ humano e natural resultante do fenómeno biológico da Espiritualidade; ele é uma necessidade vital pois, se não formos nós a ter nas mãos a capacidade de construir um Futuro, ninguém virá cá acudir-nos…

Não sabemos quantos anos mais vai durar esta vertigem da ‘Europa’ e dos seus ‘Fundos’. E se não tivermos estabelecido Amizades e Pontos de Apoio em Angola e Moçambique poderemos ficar sós, pobres e desesperados em caso (possível) de quebra ‘europeia’. Tão pouco gostaria de ficar anexado aos EUA como um novo ‘Porto Rico’…

Por isso, tenham moderação quanto à manutenção da estabilidade e do progresso de Angola e de Moçambique. Não os queiram destruir por dentro a pensar que, depois, vão lá comprar muito baratinhas as 100 e tal privatizações que o Paulo Portas, guloso, já anunciou… (até que enfim a ‘recolonização’ tão longamente perseguida por aquele ex-ministro da ‘cultura’ de Portugal que tão bem rebolava as ancas a dançar à africano, no segundo enterro do Savimbi!...).

No meu ponto de vista, Angola e Moçambique ‘dão’ para todos, os de lá (sem exclusões) e, também, para o benefício equilibrado e justo de Portugal.

Não sejamos desmazelados e, muito menos, agentes estrangeiros contra os interesses de Portugal!