Opiniao

State of The Union: Presidente Donald Trump brilha; os democratas andam aos papéis

O discurso da noite passada será recordado – com toda a certeza – como um dos melhores discursos do Estado da União da história político-constitucional dos EUA.

Quando a lucidez da história se impuser à obtusidade analítica do presente, o que hoje requer coragem de se afirmar e dificuldade de se reconhecer, será um facto incontrovertido e amplamente partilhado daqui a uma década: o Presidente Donald Trump será recordado como um dos mais consequentes e marcantes líderes da Nação norte-americana e, certamente, o político mais relevante (pelo menos!) do primeiro quartel do século XXI.

Felizmente, as pessoas comuns – aquelas que carregam os países às costas – já começam a identificar, com distanciamento crítico, o fanatismo anti-Trump que grassa na maioria das redacções: qualquer medida, qualquer acção, por mais meritórias que sejam, são criticadas e condenadas veementemente (senão ridicularizadas…) apenas porque são do Presidente Trump…

Dito isto, a noite de ontem foi mais uma noite vitoriosa de uma semana que será grandiosa para Donald Trump.

Apostamos mesmo que esta primeira semana de Fevereiro será relembrada em Novembro quando procedermos à análise da reeleição de Donald Trump como Presidente dos EUA e líder do mundo livre – dificilmente, os democratas recuperarão dos erros, das infantilidades, das trapalhadas que estão cometendo por estes dias.

A história da confusão do caucus dos democratas no Iowa ainda tem muito que se lhe diga – os dirigentes máximos do Partido Democrata têm o dever de esclarecer cabalmente o povo americano.

Ou será que o colapso da app que inventaram para gerir os resultados também se deveu a um conluio entre a campanha de Pete Buttgieg (o auto-proclamado vencedor, ainda antes dos resultados, que oficialmente ainda não existem – ui, que confusão!... – terem sido anunciados…) e os russos? Foi uma “collusion”?

Será que os democratas irão também nomear, desta vez, Robert Mueller como “special counsel” para apurar se não houve aqui mãozinha russa? Não podemos garantir que os democratas irão inventar mais uma “collusion delusion”; o que podemos asseverar, sem hesitações, é que os democratas já produziram uma enorme “collusion confusion” ….

E não é tristemente engraçado que o partido que andou a berrar que o Presidente Donald Trump seria incapaz de garantir a integridade do processo eleitoral norte-americano contra “ingerências de Estados adversos”, que montou – gastando largos milhares de dólares aos contribuintes americanos – um espectáculo de investigações, de “impeachment”, de permanente ataque ao carácter do Presidente dos EUA, seja agora o Partido que se revela incompetente até para organizar a primeira etapa do seu processo eleitoral interno!

Os democratas, que andaram a pregar longos sermões sobre a decência democrática, sobre a santidade das instituições e dos protocolos, sobre “how to be presidential” …já tornaram a sua democracia interna uma paródia caótica! Algum responsável do Partido Democrata terá que ser “impeach”(ado) , se ainda restar alguma coerência por entre o socialismo delirante triunfante (parece!) naquele partido…

Focando-nos, neste passo desta nossa prosa, no conteúdo do discurso do Estado da União, retenhamos três notas fundamentais:

Primeiro: o Presidente Trump matou a questão do “impeachment” (que terá um ponto final hoje, somando mais uma vitória para Donald Trump), sem se referir ao “impeachment” uma única vez. Trump conseguiu a quadratura do círculo. Como?

Antes de mais, com os gritos dos congressistas republicanos (porventura, acredito cada vez mais, com alguns democratas incluídos…) pedindo “mais quatro anos!”.

É um grito muito comum nos comícios de Donald Trump e que se traduz, no fundo, num anúncio de rejeição do “impeachment” por parte dos congressistas. Isto porque se o Presidente estivesse em risco real de perder o seu lugar em virtude de uma sanção do Congresso, seria contraproducente para os próprios congressistas reclamarem mais quatro anos de presidência de Donald Trump.

Em momento que seria, em abstracto, de fraqueza, o Presidente Trump e os republicanos mostram uma enorme força e vitalidade.

Para além disso, foi a forma encontrada para aproveitar o momento simbólico e sempre com impacto mediático do Estado da União para capitalizar em termos de campanha eleitoral – ora, se os democratas utilizaram o Congresso, os procedimentos e mecanismos institucionais para fazer uma campanha contínua contra o Presidente, o Presidente tem agora a oportunidade de, indirecta e subtilmente, aproveitar o seu momento no Congresso para fazer campanha contra os democratas.

Por outro lado, ao afirmar que o único critério de avaliação de vitórias e derrotas é o interesse do povo americano (“quando o povo perde, todos perdemos”), o Presidente Trump dirige uma tão implícita quanto eficaz crítica à obsessão pelo “impeachment” revelada pelos democratas nos últimos três anos;

Segundo: o Presidente Trump mostrou claramente que o tema da sua campanha será a defesa do americanismo adaptado ao nosso  tempo – ou seja, a defesa da igualdade pela liberdade; e da liberdade geradora de igualdade.

Na verdade, o Presidente Trump fez pela concretização do ideal  jurídico-político da igualdade mais do que qualquer outro Presidente na história recente dos EUA.

Colocando o tema da igualdade feita liberdade e da liberdade como igualdade, o Presidente Trump retirará o maior trunfo de retórica eleitoral aos democratas e terá a oportunidade de contrastar o país que recebeu com o país que está deixando ao povo norte-americano: da “America carnage” passámos para o “Great America Comeback”; se em 2016 se dizia que o “America Dream is dead”, hoje afirma-se, com realismo, que “America is where the action is – the America dream is back, bigger and stronger than ever before”;

Terceiro: o Presidente Donald Trump desafiou os congressistas democratas a aprovarem uma série de medidas que o Partido Democrata tem prometido durante décadas ao seu eleitorado, com destaque para a redução do preço dos medicamentos. Com Trump, o Partido Republicano é definitivamente o Partido dos trabalhadores e da classe média.

A imagem da noite, contudo, surgiu no final:Nancy Pelosi, a “Speaker” da Câmara dos Representantes, após mexer e remexer papéis desconfortavelmente durante quase duas horas, decidiu levantar-se e rasgar (literalmente, não é nenhuma metáfora!) a cópia do discurso que o Presidente lhe havia oferecido.

Em directo, em plano frontal, dando uma imagem televisiva perfeita da inquietação e raiva que dominam o Partido Democrata.

Nancy Pelosi assumiu, pois, uma postura alinhada com a do seu partido nos últimos três anos: andou (andaram e andam) literalmente aos papéis, sem saber como lidar com o furacão político que é o Presidente Donald Trump…

No entanto, nós fazemos uma interpretação benigna da atitude de Nancy Pelosi.

No fundo, rasgar à descarada o discurso do Presidente Trump para todo o mundo ver equivale, na terminologia pelosiana, a gritar estridentemente: four more years! Four more years!

Mais quatro anos! Mais quatro anos de Presidência de Trump!

E o povo americano, com a sua sabedoria e bom senso, fará a vontade a Nancy Pelosi em Novembro…

P.S – Presidente Trump congratulou os Kansas City Chiefs pela vitória no domingo passado frente aos San Francisco 49ths na final do “Super Bowl”, alargando tal elogio ao estado do Kansas (Kansas City é a capital do Missouri). Uma fonte anónima da Casa Branca garantiu-nos que o Presidente Trump fez de propósito: desta forma, com um só tweet, Trump cai nas boas graças dos eleitores do Missouri e do Kansas, fortalecendo o estado da União! Esta fonte anónima até já está pensando em escrever livro com pré-publicação no “The New York Times”…

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