Sociedade

"As pessoas que desistem de viver quando estão doentes morrem muito depressa"

Aos 63 anos, o cardiologista decidiu partilhar a experiência dramática que viveu há cinco anos, quando o agravar de um linfoma o deixou à porta da morte e mudou a sua forma de encarar a vida.

Aos 63 anos, Miguel Mota Carmo, cardiologista e professor agora retirado da Faculdade de Ciências Médicas da Nova, publica por estes dias a memória dos meses dramáticos que viveu internado no Hospital de S. José e no IPO de Lisboa há cinco anos, quando um linfoma folicular que parecia controlado assumiu uma forma mais grave e o deixou às portas da morte. A doença fê-lo mais calmo, mais grato, mais positivo e mais espiritual e é essa a experiência que partilha em Voando Sobre A Vida (Contraponto), escrito, já depois de renascer, na forma de diário, onde um médico se vê na condição vulnerável de doente e se apercebe de pequenas coisas que incomodam e de outras que alimentam a esperança e põe à prova um lado mais científico que até aí dominava a sua vida e profissão. A uma médium, Margot, agradece tê-lo feito crente e a luz que o levou a lutar. Acredita que é um milagre estar vivo, não só da Medicina.

 

É um homem e um médico muito diferente depois da batalha que descreve neste livro?

Sou. Tento aproveitar a vida o máximo possível. Pensamos que somos eternos, trabalho-casa, casa-trabalho. Sempre gostei de viajar e aproveitar a vida, mas era aquela luta constante, de manhã custava imenso acordar. Agora acordo e fico contente de estar acordado. E depois no trabalho era sempre a correr. Eu e a minha mulher Teresa somos os dois cardiologistas, criámos três filhas e tentámos sempre dar o melhor profissionalmente. E depois além do trabalho no hospital, no meu caso em Santa Marta, tínhamos a parte médica privada. A minha mulher fez a formação em Santa Marta, esteve quatro anos em Santarém e depois foi transferida para o Pulido Valente onde chegou a diretora de cardiologia. Em 2007, quando tive o diagnóstico de linfoma e fui fazer quimioterapia, largou tudo para me acompanhar nos tratamentos e mais tarde voltou só para a privada. Eu continuei no Santa Marta.

Leia aqui a entrevista na íntegra.