Economia

Turismo. Estratégia em Lisboa assenta na criação de 12 polos

Novo plano estratégico para o turismo na região de Lisboa quer dar maior destaque ao Tejo e à Margem Sul. A par da oferta tradicional na capital, pretende acelerar o crescimento de outras áreas como Arrábida e Mafra e estimular zonas como Loures, Alcochete, Seixal e Costa da Caparica.

Dar um novo protagonismo ao Tejo, gerir os fluxos turísticos através de 12 polos locais espalhados pela região de Lisboa e apostar no desenvolvimento de produtos transversais a todo o destino são os pilares do Plano Estratégico do Turismo de Lisboa 2020-2024 anunciados pela Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa. O objetivo passa por criar “uma verdadeira região turística” e, ao mesmo tempo, aumentar a riqueza gerada pelo setor.

E os números falam por si: a região de Lisboa recebeu mais de sete milhões de turistas, gerou 14,7 mil milhões de euros de receita e criou mais de 201 mil postos de trabalho em 2018. De acordo com as contas de Fernando Medina, o que o turismo gera na cidade “é o equivalente a dez vezes o que gera todo o setor do calçado no país e seis vezes as vendas da Autoeuropa”.

O plano anunciado hoje define uma qualificação da oferta nos centros de maior procura (Belém-Ajuda, Baixa, Bairros Históricos e Oriente de Lisboa, Cascais, Sintra e Ericeira) e a aceleração do crescimento das zonas de forte vocação e notoriedade (Arrábida, Mafra), assim como o estímulo às zonas com potencial a médio prazo (Loures, Alcochete, Seixal, Costa da Caparica).

Para o presidente da Câmara de Lisboa, só é possível existir um crescimento sustentável da atividade turística se existir uma integração das várias características e pontos diferenciadores que compõem a região e, como tal, abrangem vários municípios. “A cidade de Lisboa, enquanto comunidade capaz de oferecer experiências complementares diversificadas crescentes do ponto de vista turístico, tem um horizonte limitado e tem uma crescente limitação no que diz respeito à sustentabilidade social do desenvolvimento turístico”. E, por isso, Fernando Medina defende que é necessário “sermos capazes de dar o salto, de fazer esta complementaridade, de aproveitarmos os vários produtos, as várias complementaridades que se geram”.

Um dos casos de sucesso apontados é o produto “City/Short Break” (estadas curtas em cidade), com uma quota de 66,5% que tem vindo a reforçar a sua posição, a par (embora numa escala mais reduzida) do produto “Meetings & Incentives” (reuniões de cariz empresarial e associativo). Mas aliados a isto terão de surgir surf, sol e mar, golfe e natureza como produtos complementares, enquanto gastronomia e vinho, cultura, compras e eventos deverão ser vistos como elementos qualificadores. E a estratégia passa por apostar nessa oferta complementar.

Outra novidade diz respeito aos mercados a alcançar. A ideia passa por aumentar a notoriedade de Lisboa junto de mercados do Médio Oriente e Ásia, que têm vindo a melhorar as suas performances nos últimos anos, nomeadamente Japão, Coreia do Sul, Turquia, Catar, Israel, Irão, Arábia Saudita e Rússia. A par disso, vão-se manter programas de promoção junto dos mercados emissores de crescimento consolidado, que têm maior peso na região (Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Suíça, Áustria, Espanha, Benelux, França, Escandinávia, Itália), assim como nos mercados atlânticos que registam maior crescimento (EUA, Canadá, Brasil).

Oferta consolidada No Polo Lisboa Centro, as iniciativas vão passar pela regulação e gestão de fluxos, assim como pela promoção de novas zonas com potencial turístico, nomeadamente Praça de Espanha, Alcântara e Intendente. “Já o Museu do Tesouro Real, no Polo Belém-Ajuda, irá permitir enriquecer a promoção de conteúdos culturais e promover um melhor equilíbrio na utilização turística no Polo”, refere o plano estratégico.

No caso do Polo de Sintra, a aposta “estará focada na oferta de um turismo de maior valor, quer em duração de estada quer de pernoita, no reforço de soluções de mobilidade e na divulgação de riquezas arqueológicas ou igrejas, por exemplo”. O posicionamento do Polo Cascais será reforçado pela dinamização da oferta de hotelaria e restauração de luxo, captação de eventos de elevada exposição mediática, uma nova dinâmica do segmento de golfe e dinamização como hub náutico de luxo.

Já o Polo Ericeira deverá reforçar o seu posicionamento como destino sustentável de surf e potenciar o seu reconhecimento como “Reserva Mundial de Surf”.

Em desenvolvimento e a potenciar Em marcha está a criação do Polo Tejo, que irá transformar o rio “num novo ativo turístico de grande relevo”, nomeadamente através do novo Cais de Lisboa e da Rede Cais do Tejo. O Polo Lisboa Oriente vai investir nas infraestruturas existentes no Parque das Nações, explorar Marvila e Beato “enquanto zonas jovens e trendy em harmonia com a raiz tradicional local” e potenciar os conteúdos de arte pública em Loures.

Já o Polo Mafra deverá qualificar o seu património cultural e natural, criando novas infraestruturas e dinamizando um cluster ligado à música, enquanto o Polo Arrábida irá focar-se no desenvolvimento do turismo da natureza, apostando nos conceitos sol e mar e na revitalização de ativos históricos.

Para breve, e em resultado do novo aeroporto do Montijo, está o Polo Arco Ribeirinho Sul, que também irá dedicar-se à exploração turística fluvial para dinamizar o acesso via rio Tejo. Já o Polo Reserva Natural do Estuário irá posicionar-se como uma zona de experiências únicas com foco no turismo da natureza, desenvolvendo experiências de turismo ativo ligadas aos atributos de tradição rural e usufruto do rio que são oferecidos. Mais uma vez, a experiência sol e mar será oferecida pelo Polo Costa da Caparica, que “deverá intensificar os esforços de qualificação da infraestrutura de acesso e suporte às praias e enriquecer a oferta de alojamento de qualidade”.