Sociedade

Absolvidos médicos que não detetaram tumor cerebral de dois quilos em dezenas de consultas

Sara Moreira foi 18 vezes à médica de família e 11 vezes às urgências. Médicos atribuíram sempre os sintomas a crises de ansiedade.

O Tribunal da Relação do Porto confirmou a absolvição dos quatro médicos que não diagnosticaram um tumor cerebral numa jovem de 19 anos, que acabou por morrer.

Sara Moreira morreu em 2013 depois de ter consultado a sua a médica de família 18 vezes e ter ido às urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel, outras 11, segundo o Jornal de Notícias.

Os juízes desembargadores do Porto concordaram com a juíza do Tribunal de Penafiel que, em julho de 2019, tinha dado como provado que a jovem não foi sujeita a exames complementares de diagnóstico que permitissem tratar o tumor cerebral, mas que os médicos acusados nunca tiveram intenção de a matar.

A conclusão dos tribunais é de que se tratou de um erro de diagnóstico, mas teria de se provar dolo para que houvesse lugar à condenação daqueles quatro profissionais.

Sublinhe-se que a jovem, durante dois anos, recorreu às urgências, com queixas de fortes dores de cabeça, vómitos, tonturas e perdas de consciência. De todas as vezes, os médicos julgaram tratar-se de crises de ansiedade.

Foi só depois de jovem morrer, em 2013, que a autópsia viria a revelar que a jovem teria morrido na sequência de um tumor cerebral com quase dois quilos de peso.