Cultura

Vasco Pulido Valente fala de si próprio e de como podemos sair da crise

Última entrevista do escritor ao jornal i. 

6/03/2015

Vasco Correia Guedes, há muito Vasco Pulido Valente, o apelido do avô materno, que o ensinou a pensar. Secretário de Estado da Cultura e secretário-adjunto do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, diz que a classe política tem vindo a piorar desde 1976. Em entrevista ao i conta que a morte do fundador do PPD foi a sua grande desilusão política. E fala nos favores e compadrios, de então, de agora e de sempre. Afirma que Portugal está melhor que há 30 ou 40 anos, mas para si não é o país que queria. Envelhecer é difícil, sobretudo quando já não há referências.

Somos um povo traumatizado?

Há problemas que condicionam, e até certo ponto determinam a cultura portuguesa, nomeadamente política. Em primeiro lugar, somos um país periférico, muito longe do centro da Europa, onde todas as grandes questões da modernidade surgiram e se decidiram.

A nossa geografia já teve vantagens...

Nunca tivemos uma economia próspera a não ser durante o verdadeiro império marítimo e comercial, a única coisa de que pudemos tirar partido. E acabou com a autonomia do Brasil, quando fomos obrigados a abrir os portos e perdemos o monopólio dos produtos que revendíamos na Europa. Nunca existiu um motor de combustão interna.

O que aprendemos com 900 anos de história?

As circunstâncias não são comparáveis. Mas, mais recentemente, há comparações que se podem legitimamente fazer. O problema que se pôs a Portugal nestes 40 anos foi o mesmo que se pôs em 1851/52 e que também durou os seus 40 anos (deve ser o limite de paciência dos mercados financeiros). A grande força por trás disso é que queríamos ser como a Europa. Como não havia uma economia que produzisse espontaneamente uma classe média e uma alta burguesia, isso fez-se à custa do Estado, que se endividou colossalmente.

É uma condenação?

Não tivemos uma revolução industrial e como éramos poucos não tínhamos um mercado interno que pudesse sustentar as grandes empresas e as grandes indústrias. A única maneira de regenerar Portugal, como se dizia antes – hoje diz-se modernizar – era o Estado substituir-se a esses agentes históricos. Nos anos 70 o slogan do PS era a “Europa connosco”.

E hoje, a Europa está connosco?

Não sei, isso são responsabilidades do Dr. Mário Soares.

Que apoiou…

Apoiei.

Leia a entrevista na íntegra no jornal i.