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PS desafia Rio a clarificar posição do PSD em relação ao aeroporto do Montijo

António Costa avisa que começar do zero terá custos muito grandes, enquanto Jerónimo de Sousa acusa socialistas de "força de bloqueio".

O PS desafiou o PSD a “clarificar” se continua a apoiar a solução de um novo aeroporto no Montijo. Esta é a questão colocada pelos socialistas depois de o partido de Rui Rio ter garantido que estava indisponível para alterar a lei que permite a qualquer uma das autarquias afetadas pela construção do aeroporto do Montijo vetar o avanço do projeto, desafiando o Governo a negociar com os municípios.

O secretário-geral adjunto do PS lembrou que esta localização foi decidida quando o Governo de Passos Coelho estava no poder e, como tal, quer saber se o PSD está “a ceder a uma vertigem populista”. 

José Luís Carneiro deixou ainda a garantia que os socialistas irão “continuar o diálogo com os municípios” e com “todos os partidos com representação parlamentar”. Em causa está a intransigência das câmaras do Seixal e da Moita em relação à localização do futuro aeroporto no Montijo. Ao SOL, as autarquias admitem avançar, em último recurso, com uma providência cautelar, mas garantem que vão privilegiar o debate institucional e manter o diferendo no campo político. “Só se nada disso resultar é que iremos recorrer a uma decisão judicial”, garantiu Rui Garcia, presidente da Câmara do Moita.

O secretário-geral adjunto do PS defendeu também que foi o PSD que “há dez anos inviabilizou um novo aeroporto com o discurso de diabolização do investimento público e adotou a solução do Montijo” e enumerou declarações de ex-ministros e dirigentes sociais-democratas que reafirmaram esta opção ao longo do tempo. E apelou ao PSD para que “abra as portas ao diálogo” e que deixe de lado uma atitude que classificou de “bipolaridade tática”: “Sempre que vê uma oportunidade de desgastar o PS, coloca de lado o interesse nacional, procurando tirar proveitos muito táticos, muito mesquinhos, muito imediatos”.

Também esta quinta-feira o primeiro-ministro reiterou que não há “plano B” ao aeroporto no Montijo, avisando que “recomeçar do zero” terá “custos muito grandes para a economia do país” e afirmou-se “perplexo” com a posição do PSD. “Todos sabem que a cada dia a obra é cada vez mais urgente e, portanto, se queremos reabrir tudo - como eu sempre disse não há plano B ao Montijo. O plano B ao Montijo é recuar sete anos atrás e recomeçar do zero agora com a hipótese de Alcochete. Isso terá custos muito grandes para a economia do país e, portanto, eu acho que todos devem agir com responsabilidade” afirmou, em declarações aos jornalistas à entrada do Conselho de Ministros descentralizado que decorre em Bragança.

PCP fala em “força de bloqueio”

Também os comunistas criticaram o PS de querer mudar a lei, acusando os socialistas de “força de bloqueio”. De acordo com Jerónimo de Sousa, a alteração da lei que dá às autarquias envolvidas o direito a vetar o avanço do projeto, defendida pelo ministro das Infraestruturas, é “um fato à medida dos interesses da ANA e da Vinci”, empresa responsável pelo aeroporto, afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas, à margem de um encontro sobre ferrovia e transportes, em Lisboa.

“O erro de fundo é o aeroporto [ser] no Montijo”, disse, recordando que o PCP “sempre” defendeu a opção de construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, também no distrito de Setúbal.

Para o líder comunista, “deve-se cumprir a lei em vigor”, depois de lembrar que foi em 2007 um governo do PS a aprovar o “respetivo decreto, que está em vigor” e mostrou surpresa por ser agora um Governo socialista vir “agora com uma teorização” quanto ao diploma que permite um “posicionamento das autarquias em relação ao seu território” e que permite “um parecer à matéria de facto”.

Segundo o secretário-geral do PCP, é um “processo discutível” de, “perante uma resistência ou uma dificuldade”, como aconteceu com as câmaras do Seixal e Moita, da CDU, que são contra o avanço do projeto, vir agora dizer “altere-se a lei”. E não hesitou: “É um mau caminho que o PS e o Governo está a fazer”, concluiu.