Politica

Incêndios. PSD recupera inquérito pedido pelo Chega sobre donativos

Em causa estão mais de 7 milhões de euros e sociais-democratas querem ouvir duas ministras e autarcas.

André Ventura, deputado único do Chega, queria uma comissão de inquérito sobre a gestão e fiscalização de fundos após os incêndios de 2017, que vitimaram mais de uma centena de pessoas. A proposta não passou e o PSD entendeu que era tempo de a fazer na versão social-democrata, isto é, só com as assinaturas de 46 deputados do PSD (o número mínimo previsto no regimento) e recorrendo ao direito potestativo das bancadas parlamentares – ou seja, ganhando caráter obrigatório.

O objeto do inquérito foi apresentado em conferência de imprensa e visa “apreciar o processo de atribuição de apoios à recuperação de habitações, de empresas, de equipamentos públicos e privados e da reposição do potencial produtivo da região”.

O vice-presidente da bancada do PSD Carlos Peixoto assegurou que os sociais-democratas não querem fazer uma “caça às bruxas”, mas perceber, a bem da transparência, como foi gasto o dinheiro. “Depois poderemos ter boas surpresas ou más surpresas”, concluiu Carlos Peixoto, assegurando que o inquérito não tem por objeto “as causas dos incêndios”, mas sim as consequências e “como é que o Governo geriu, administrou, controlou, supervisionou os apoios dados pelos portugueses de forma generosa”. Ou seja, o PSD quer perceber, passo a passo, como foram gastos mais de 7 milhões de euros.

Para o efeito, Carlos Peixoto lembrou que foi o próprio Tribunal de Contas que apontou deficiências no processo. “Os deputados têm o dever de procurar o verdade”, insistiu Carlos Peixoto na referida conferência de imprensa. Questionado se André Ventura, do Chega, integra a lista de 46 deputados subscritores do inquérito parlamentar, o deputado foi pronto na resposta: “É uma proposta apenas dos deputados do PSD”. E apontou que o partido quer ouvir autarcas e duas ministras: a da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa (que era presidente da CCDR do Centro) e a da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque. Ventura já reagiu: “Mais vale tarde que nunca”, escreveu no Facebook.