Internacional

Biden marcha para a nomeação presidencial

Biden tem praticamente a nomeação presidencial nas mãos. Sanders mantém-se na corrida para pressionar o ex-vice-presidente a adotar políticas mais à esquerda.

Joe Biden parece imparável. Com a vitória nas primárias de terça-feira, o ex-vice-presidente tem o caminho aberto para marchar sem volta atrás para a nomeação presidencial. O impulso de Biden é tal que mesmo que matematicamente a corrida esteja longe de estar ganha, as hipóteses do senador independente Bernie Sanders ganhar o prémio da nomeação estreitam-se a cada dia que passa. Mas este fim de semana o socialista democrático tem a possibilidade, pela primeira vez, de estar no ringue apenas com o vice de Barack Obama, no debate do próximo domingo, em Washington D.C. E poderá ser a sua última oportunidade, nem que seja para pressionar Biden.

A derrota no Michigan – onde apostou todas as fichas – foi um rude golpe para Sanders. O estado era a joia da coroa (125 delegados) das eleições da semana passada e onde tinha arrecadado à força uma vitória contra Hillary Clinton, em 2016. O senador do Vermont necessita agora de ganhar 57% dos delegados para atingir o número mágico – 1991 – para ser premiado com a nomeação presidencial antes da convenção democrata, em julho, em Milwaukee.

Tendo em conta a história eleitoral, é improvável que consiga chegar a tal número e ultrapassar Biden: tem uma desvantagem de quase 160 delegados. E a conjetura também não lhe é favorável, com o pânico instalado devido à propagação do Covid-19, muitos eventos de campanha foram cancelados – o debate de domingo era para ser no Arizona, mas foi mudado para a capital e não vai ter audiência. E o Arizona, Florida, Illinois e Ohio – onde se realizam as primárias da próxima terça-feira – são todos estados que o candidato independente perdeu para Clinton.

Mesmo assim, Sanders não desiste. Só se pronunciou sobre os resultados no dia seguir às eleições (ao contrário do que é costume), enaltecendo ter ganho o «debate ideológico» – embora admitindo estar a perder a luta pela «elegibilidade» contra Donald Trump – e o eleitorado jovem. Numa espécie de discurso de derrota, deixou um aviso sinalizando poder manter-se na corrida só para pressionar o antigo senador do Delaware a adotar políticas mais à esquerda. «Hoje, digo ao establishment democrata, que para ganhar o futuro, precisam de ganhar os eleitores que representam o futuro do nosso país», sublinhou, fazendo referência à sua popularidade entre o eleitorado com menos de 30 anos. «Têm que falar dos temas que os tocam. Não podem simplesmente ficar satisfeitos com os votos de pessoas que são mais velhas».

Biden foi alavancado pelo voto negro e do eleitorado idoso, tornando-se surpreendentemente o favorito em pouco mais de duas semanas. Por exemplo, cerca de 70% dos eleitores do Mississípi nas primárias democratas eram afro-americanos e 86% do voto desta categoria eleitoral foi para Biden, segundo o inquérito da Associated Press: ganhou o estado com 81% dos votos. Além de praticamente todos os candidatos desistentes terem apoiado a sua candidatura – à exceção de Elizabeth Warren, da ala progressista do partido – para impedir a nomeação do socialista democrático.

As políticas de Sanders são mais populares – seis em cada dez eleitores no Michigan afirmaram concordar com o programa de saúde do senador – mas Biden é considerado pelo eleitorado como o melhor candidato para derrotar Trump. A dificuldade agora para Biden é unir o partido. Nesse sentido, e ciente da árdua tarefa que tem pela frente e da base sólida e entusiasta de Sanders, fez um apelo com uma postura de vencedor. «Precisamos de vós, queremos-vos, e há um lugar para cada um de vocês nesta campanha. Quero agradecer a Bernie Sanders e aos seus apoiantes pela sua energia incansável e paixão», disse. «Partilhamos um objetivo em comum, e juntos vamos derrotar Donald Trump».