Economia

Automóvel. Fabricantes suspendem produção nas próximas semanas

Continental fecha fábrica, mas em definitivo e despede 370 pessoas até 2021. ACAP diz que impacto “é como uma 3.ª guerra mundial”. 

Os fabricantes automóveis em   Portugal estão a suspender temporariamente a sua atividade. Primeiro foi o grupo PSA a anunciar que ia encerrar hoje a sua unidade em Mangualde – a que se juntam o encerramento de unidades em Espanha e França – “devido à aceleração, constatada nos últimos dias, do número de casos graves de Covid-19 na proximidade de alguns centros de produção e das interrupções nos fornecimentos dos grandes fornecedores”. 

Ontem tinha sido a vez da Autoeuropa ao garantir que vai suspender todos os turnos de produção de veículos até ao dia 29 de março, com efeito imediato. “A fábrica vai manter em funcionamento todos os serviços mínimos necessários. Qualquer alteração decorrente de novas decisões será atempadamente comunicada”, disse a fábrica de Palmela.

O mesmo cenário repete-se na Renault Cacia, em Aveiro, ao revelar que vai cessar a atividade até ao final de março. Face ao surto do novo coronavírus, a direção da empresa diz-se confrontada com a necessidade de “realizar uma paragem total da sua atividade entre os dias 18 de março e 29 de março de 2020”, lê-se no e-mail enviado aos colaboradores. Esta decisão resultou de uma reunião entre representantes da empresa e a comissão de trabalhadores.

Estes encontros vão repetir-se “periodicamente” de forma a “assegurar uma tomada de decisão atempada e alinhada com as medidas governamentais”, diz o mesmo comunicado.

Também a Toyota  optou por suspender a produção de automóveis na Europa. O grupo japonês vai encerrar as fábricas de França e de Portugal já esta semana. A suspensão no mercado nacional, em Ovar, irá manter-se até ao dia 27. 

Fecho definitivo

Ao contrário das outras fábricas, a multinacional alemã Continental anunciou o encerramento da fábrica que opera em Palmela, onde produz maxilas de travões dianteiros e emprega 370 pessoas, até ao final do próximo ano. “A razão desta medida é a queda do mercado global de automóveis de passageiros”, explicou o grupo, em comunicado.

“Estamos conscientes do impacto que esta decisão tem nos nossos colaboradores. O apoio às pessoas em Palmela é a nossa principal prioridade”. E afirmou: “Vamos colaborar estreitamente com a Comissão de Trabalhadores para desenvolver um pacote abrangente de compensação. Este pacote vai incluir indemnização e apoio na procura de um novo emprego dentro ou fora da Continental”.

Impacto no setor

Para o secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), o impacto do novo coronavírus no setor “é complicado” e comparou-o a uma “terceira guerra mundial para a economia”. Para Hélder Pedro não há dúvidas: o “cenário é complicado” para o setor e tem tendência para piorar.

“Em 2009, tivemos uma crise profunda e difícil, houve uma redução de procura, mas não houve esta situação de encerrar as fábricas”,acrescentando que “a montante temos os fornecedores de componentes, que não muitas vezes pequenas empresas que vão deixar de fornecer, e a jusante os distribuidores, que deixam de ter veículos para distribuir, tudo isto associado à crise de confiança económica é muito problemático”.