Sociedade

O desabafo de uma médica portuguesa: " Este vírus é real e mata. Para alguns estamos todos a brincar ao estado de emergência"

"A população ainda não compreendeu que este vírus é real e mata. Para alguns estamos todos a brincar ao estado de emergência. E são esses que com as suas más práticas e incumprimentos vão fazer com que muitos portugueses MORRAM...".

Uma médica de Póvoa de Varzim, onde este domingo a marginal se encheu mostrando desrespeito pelo isolamento social, utilizou as redes sociais para fazer um longo desabafo e pedir que fiquem em casa, lembrando o esforço que todos os profissionais de saúde fazem neste momento para combater a pandemia de covid-19.

“Estou a trabalhar há mais de 15 dias sem folga. Saio de casa triste por deixar os meus, que de forma exemplar cumprem o isolamento social, contudo feliz porque sei que ser médica é a minha verdadeira vocação. Regresso a casa com o coração nas mãos pois mesmo tendo todas as precauções a probabilidade de contágio para uma médica da urgência é elevada. Esforço-me para não me aproximar dos meus filhos e do meu pai, que são os mais suscetíveis a ser afetados por este flagelo. Adoraria estar a passear descontraidamente na Marginal com os meus, contudo estou a trabalhar, a cuidar de quem está doente”, começou por escrever, numa publicação partilhada no Facebook.

“Hoje estou no hospital, assim como vou estar amanhã, e no dia seguinte, e no outro.... Vou estar porque vou ser cada dia mais necessária. E sabem porquê? Porque a população ainda não compreendeu que este vírus é real e mata. Para alguns estamos todos a brincar ao estado de emergência. E são esses que com as suas más práticas e incumprimentos vão fazer com que muitos portugueses MORRAM...”, acrescenta.

“Meus amigos não se iludam, infelizmente vai morrer muita gente, meus conhecidos e vossos conhecidos, meus amigos e vossos amigos, meus familiares e vossos familiares... Médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, seguranças, funcionários dos hospitais... todos estamos a fazer a nossa parte, façam vocês a vossa. Gostariam de chegar ao hospital e ser-lhes dito que não iam ser atendidos? Que iam ficar na porta e morrer sem assistência? Gostavam?”, questiona a médica.

“Descansem... Mesmo sendo isso que os incumpridores mereciam, não será de todo o que vai acontecer, porque nós estaremos sempre lá para ajudar, até ao limite das nossas forças. Assim sendo, cumpram a vossa parte. Permaneçam em casa. Cumpram o isolamento social. Por vocês... por todos nós”, pede.