Sociedade

Cordão sanitário no Porto "neste momento não faz qualquer sentido". Idosa de 93 anos recupera de covid-19

A questão do cerco sanitário no Porto, abordada segunda-feira pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e que gerou inúmeras críticas por parte de Rui Moreira, presidente daquela autarquia, foi esclarecida pelo secretário de Estado da Saúde, que revelou ainda que, esta terça-feira, chega à invicta um avião com material de proteção.

No dia em Portugal registou 1035 novos casos de covid-19, superando a barreira dos 7 mil casos de infeção, e em que o número de vítimas mortais devido ao novo coronavírus subiu para 160, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, quis começar a conferência de imprensa desta terça-feira realçando antes as histórias de “esperança”.

O secretário de Estado diz que há vários relatos de “superação” da doença, mas quis destacar o caso de uma mulher, de 93 anos, diagnosticada com covid-19 e que recuperou." Uma senhora, de 93 anos, da Grande Lisboa, chegou ao hospital com um quadro de pneumonia grave, diagnosticada com covid-19, e depois de 11 dias de internamento recuperou", realçou.

Dos destaques de António Sales fizeram ainda parte os elogios às medidas de contenção para impedir a entrada do coronavírus nos estabelecimentos prisionais. Segundo o secretário de Estado da Saúde, neste momento, apenas uma reclusa e dois funcionários realizaram testes positivos para covid-19 em Portugal e encontram-se em isolamento.

Sales revelou ainda que esta terça-feira chega ao Porto um avião com "3,5 milhões de máscaras cirúrgicas, 100 mil batas, 300 mil toucas, entre outros equipamentos" de proteção e justificou as possíveis contradições da DGS sobre a pandemia com a "proporcionalidade e evolução do surto".

“Subscrevo toda a confiança na DGS”, disse o secretário de Estado.

Na mesma conferência de imprensa, Diogo Cruz, subdiretor-geral da Saúde, reconheceu, tal como já tinha sido confirmado pela DGS, dupla contagem dos casos de infeção no Porto, que constaram no boletim divulgado na segunda-feira.

“Os números foram corrigidos", disse. "Houve aqui uma tentativa de dar o maior número de números possível e houve duplicação de valores no número de ontem porque houve confluência entre os dados da região e os dados reportados via SINAVE [Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica].  E como se percebeu acabou por haver duplicação de números que já foram corrigidos", acrescentou, explicando que, a partir de agora, o boletim com a atualização da situação em Portugal vai "conter apenas dados do SINAVE para não haver duplicações”.

A questão do cerco sanitário no Porto, abordada ontem pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e que gerou inúmeras críticas por parte de Rui Moreira, presidente daquela autarquia, não ficou de fora da conversa e o secretário de Estado da Saúde esclareceu que “não houve qualquer indicação da autoridade de saúde nesse sentido”.

António Sales explicou que Graça Freitas “falou em ponderação de situações de uma forma generalista, não se referindo particularmente ao Porto, mas de uma forma generalizada relativamente à possibilidade de cercas sanitárias” e que “neste momento não faz qualquer sentido colocar-se essa situação no Porto, independentemente da duplicação de casos". "O que posso dizer é que essa avaliação será sempre feita pela autoridade de saúde”, garantiu ainda.

Ambos os responsáveis voltaram ainda a falar sobre o número de recuperados (43), que não se altera há vários dias. António Sales reafirmou que esta é uma doença de “convalescença lenta”, mas falou também em “notificações tardias, uma vez que a maior parte dos doentes” se tratam no domicílio.

Diogo Cruz acrescenta que só com dois testes negativos uma pessoa é considerada "curada", mesmo que já esteja assintomática.