Sociedade

Crianças internadas com covid-19 têm tido uma “capacidade enorme de recuperação”

Diretora-geral da Saúde garante que a evolução tem sido positiva mesmo em crianças que deram entrada nos hospitais com quadros graves.

A distribuição etária dos doentes internados em cuidados intensivos em Portugal tem estado dentro do expectável desde o início da epidemia, com a população mais idosa a ser afetada de forma mais severa.

Questionada este domingo pelo i sobre se há indícios de mais casos entre jovens do que seria esperado, Graça Freitas esclareceu que os internamentos em cuidados intensivos têm acompanhado a tendência geral da epidemia e são assim sobretudo casos de pessoas idosas. “As crianças internadas, mesmo as que entram com um quadro clinicamente grave e complexo, têm tido uma capacidade enorme de recuperação. A maior parte estão no domícilio e muitas estão já curadas”, disse a diretora-geral da Saúde no briefing diário sobre a evolução da epidemia no país.

Sem revelar números exatos sobre a distribuição dos casos graves por faixa etária – este domingo o número de doentes internados em cuidados intensivos subiu para 267 – Graça Freitas salientou que os adultos jovens que estão a ser admitidos em cuidados intensivos por causa da covid-19 têm por regra outras condições de base já graves. 

“Quais mais velhos e maior morbilidade, mais complexa e mais grave é a doença”, sublinhou Graça Freitas.

O número de mortes por covid-19 em Portugal subiu este sábado para 295 – os dados revelados todas as manhãs pela DGS dizem respeito ao balanço feito até à meia-noite do dia anterior. A maioria das vítimas mortais têm mais de 80 anos e o boletim diário da DGS não regista até ao momento nenhuma morte abaixo dos 40 anos de idade. Já na faixa etária dos 40 aos 49 houve quatro mortes e entre os 50 e 59 anos registaram-se oito mortes, aumento o número de vítimas a partir dos 60 anos, mas em particular dos 70 para cima. 

A DGS não incluiu o jovem de 14 anos que morreu no domingo passado em Santa Maria da Feira no balanço a epidemia. O adolescente deu entrada no hospital com um quadro grave e testou positivo para o novo coronavírus mas a família revelou ao JN que os resultados da autópsia apontaram como causa de morte uma meningite.