Opiniao

A Itália, Berlusconi e as sondagens

O artigo de hoje é difícil. Por várias razões mas, sobretudo, por uma. E também porque há vários temas sobre os quais me apetecia escrever mas não o devo fazer. Pelo menos, não me devo alargar.

a união europeia é um deles. continuamos à espera que a europa se organize e nunca mais. na prática, parece que estamos à espera das eleições alemãs. entretanto, o tempo vai passando e muitos vão sofrendo, principalmente os desempregados.

a itália é outro desses temas. sem dúvida que irrita muito constatar como as sondagens mais uma vez se enganaram e, como sempre, a favor da esquerda. proclamavam que a recuperação de berlusconi tinha atingido o limite, e que este ficaria, pelo menos, a seis ou sete pontos de bersani... ora, ficou a menos de um ponto! como é possível que isto se repita constantemente?

muitas empresas de sondagens são como algumas agências de rating dos mercados (neste caso, mercados políticos) ou como algumas empresas de estudos de audiências na comunicação social. não se trata de defender nem de atacar berlusconi. trata-se, tão-só, de repudiar a manipulação e a fraude.

a justiça e o sporting

outro tema é a justiça. muitos têm sido os motivos, nestes dias, para que se analise o que se passa nessa área. desde a ordem dos advogados ao ministério público, passando por processos judiciais e pelas relações de agentes da justiça com jornalistas (como referiu, sábado, miguel sousa tavares), diversos têm sido os acontecimentos que merecem a devida ponderação.

noutra área, o sporting. muitas, mesmo muitas, têm sido as solicitações para que eu opine sobre o que se passa. tenho recusado.

num momento em que está em curso um processo eleitoral, a discrição de quem já foi presidente do clube é imperativo de sensatez. mas isso não pode impedir-me de afirmar que me faz muita impressão o estado a que chegou o sporting. como foi possível?

há mais de um ano que não vou ao estádio. fiz essa opção desde as últimas eleições. a composição da equipa que tomou conta dos destinos do sporting fez-me antever o pior. não me refiro a nenhuma pessoa em concreto mas sim ao conjunto. era óbvio que se iria desmembrar rapidamente. disse-o aos meus familiares e aos meus amigos. mas foi ainda pior do que eu supunha. é preciso saber como se chegou aqui. já houve mais do que uma auditoria mas ainda não se tiraram as conclusões. defendo-o para o meu mandato e para o de todos. o sporting tem de sair da situação em que se encontra, quanto mais não seja por aqueles que têm lutado pelo seu emblema e pelas suas cores desde há mais de um século.

a 7.ª avaliação da troika

eesta semana começou a sétima avaliação da troika. que sejam capazes de parar, escutar e olhar para a real situação do país.

sobre isso, tenho dito e escrito muito – principalmente sobre o agravamento que se sente nos últimos meses quanto ao desespero com que as pessoas procuram emprego.

muitos têm bem mais de 40 anos, estão longe da reforma e são, em muitos casos, trabalhadores com formação indiferenciada. e nem todos podem emigrar, muitas vezes pelas responsabilidades que têm para com os seus progenitores, que não podem deixar sozinhos.

o adeus ao sol

a tal razão mais forte para tornar difícil o artigo de hoje é que terminam estes equinócios e solstícios.

quatro anos e meio! é obra! como o tempo passa!

como escrevi nessa altura, gostei do sol logo que ele surgiu. gostei da ideia, da coragem, do entusiasmo, da imagem, do grafismo, do nome. e tenho uma tendência para me identificar com aqueles que arriscam e que desafiam as ordens estabelecidas.

foi com honra e com alegria que recebi o convite de josé antónio saraiva, de mário ramires e de josé antónio lima. com esta, são duzentas e quarenta e três semanas.

parto cheio de saudades. e apenas porque me desafiaram para um projecto que também vai dar os primeiros passos, embora seja da ‘família’ de outros já consolidados.

desejo que este sol brilhe durante muito tempo. que ilumine com o calor da liberdade esta pátria que bem precisa que a aqueçam e iluminem.

sou leitor do sol desde antes de cá escrever. continuei a sê-lo, naturalmente, nestes quatro anos e meio. e continuarei a lê-lo todas as semanas, se deus quiser.

uma palavra especial à carolina silva. todas as casas têm a sua trave-mestra. no sol, pelo que conheci, a educação e a competência dessa senhora são essenciais.

last but not least, uma palavra ao director: obrigado. já é tempo de se reconhecer o notável contributo que tem dado para o sistema político português. será, a grande distância, o decano dos directores de órgãos de comunicação. os sistemas políticos democráticos não se fazem sem jornalistas. pelo contrário, quanto melhores forem esses profissionais, melhor funcionam os sistemas. mais uma razão para reconhecer os que se destacam, para além do tempo de funções.