Politica

Para quando a vacina da covid-19? Costa diz que “só no verão do próximo ano”

Primeiro-ministro diz que o país não vai voltar à normalidade depois de concluído o segundo estado de emergência, a 2 de maio.

“Estima-se que só no verão de 2021 podemos contar com a vacina”. São palavras do primeiro-ministro, António Costa, que ontem fez questão de deixar a garantia de que o país não vai voltar ao normal mesmo depois de o estado de emergência terminar em Portugal, a 2 de maio, devido ao novo coronavírus. Para o primeiro-ministro, “ainda não é momento para baixar a guarda” mas, “se mantivermos o esforço, podemos começar a encarar o mês de maio de forma diferente”, admitiu, após uma reunião com o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sobre as condições para o levantamento das restrições à circulação a partir do próximo mês, relativas às cerimónias religiosas.

“Temos um longo período à nossa frente em que, mesmo sem estado de emergência, vamos ter de manter normas de higienização social e pessoal, normas de afastamento, de contenção e de limitação à circulação, ou de forma voluntária ou impostas pelo Estado com base nos poderes de que dispõe. Este é ainda o momento para manter um grande rigor e disciplina no que respeita à contenção e afastamento social”, lembrou António Costa, referindo, no entanto, que não podemos viver permanentemente nesta “clausura”. “Todos desejamos não ter de renovar em maio o período do estado de emergência. Nessa altura de decidir, a nossa liberdade será tanto maior quanto maior for agora a nossa disciplina”, reforçou o primeiro-ministro.

Certo é que António Costa e o cardeal-patriarca de Lisboa se reuniram para avaliar o aliviar de restrições, mas não foi anunciada qualquer decisão, apesar de o primeiro-ministro estar a fazer uma ronda pelas confissões religiosas no âmbito da preparação de medidas para maio. O chefe de Governo adiantou, no entanto, que caberá à Conferência Episcopal Portuguesa definir a estratégia para o período pós-estado de emergência. Em todo o caso, afirmou que o que lhe foi transmitido “é que a Igreja continuará a ser um exemplo e uma referência na forma de celebração da fé, mantendo, naturalmente, as regras que podem contribuir positivamente para a saúde pública”.

 

OMS elogia portugal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que Portugal está a agir “de forma racionalmente correta” com o novo coronavírus e que “os números indicam isso mesmo”. Numa conferência de imprensa na sede da organização, em Genebra, Suíça, o diretor do programa de emergências sanitárias, Michael Ryan, confessou não estar a par de todos os dados de Portugal, mas admitiu que os resultados, até agora, são positivos. “A boa notícia é que o ritmo de crescimento da doença está estável”, atirou.

 

Mais 66 ventiladores

No dia em que foram anunciados mais 21 mortes e 657 novos casos confirmados de covid-19 em apenas 24 horas – uma subida de 3,5% de casos em relação ao dia anterior, mas o menor aumento de óbitos desde 7 de abril –, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, divulgou que chegaram a Portugal, este domingo, 66 ventiladores vindos da China, 63 dos quais adquiridos pela administração central dos sistemas de saúde e os outros três por autarquias. “Portugal regista uma taxa de ocupação em unidade de cuidados intensivos de 54%. Os ventiladores serão distribuídos de imediato pelo país”, afirmou, explicando depois que 40 ventiladores ficarão nas regiões Norte e Centro do país e os restantes 23 serão distribuídos por “unidades de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve”.