Politica

Pelas Janelas e varandas de Portugal

Antes da polémica que gerou petições contra e a favor da sessão solene comemorativa do 25 de Abril, já Vasco Lourenço, no SOL de 28 de março, tinha proposto outro tipo de celebração: o país inteiro cantar à janela e à varanda o Hino Nacional e Grândola, Vila Morena.

Os 46 anos do 25 de Abril serão hoje assinalados de uma forma diferente, sem desfiles, manifestações, fruto da pandemia da covid-19, e o momento mais simbólico promete ser o das 15h, quando o país responder ao apelo que Vasco Lourenço lançou aqui no SOL,  no passado dia 28 de março: cantar o Hino Nacional e Grândola Vila Morena, à janela ou à varanda, às 15h.

«As pessoas que estiverem em casa, provavelmente a maioria, vão às janelas ou às varandas e cantem o Grândola, Vila Morena», apelou o capital de Abril quando já tinha sido decretado o estado de emergência.

A norte, por exemplo, o bispo do Porto Manuel Linda associa-se   às cerimónias em Vila de Nova Gaia, pela homenagem aos profissionais, à varanda da autarquia, com o hastear da bandeira nacional e do hino. No Porto, o 25 de Abril também se assinalará com o apelo para se cantar a senha da Revolução dos Cravos, de Zeca Afonso, pelas 15h00.

A nível institucional, o momento alto será o da cerimónia no Parlamento.

Depois da polémica sobre a realização da sessão solene do 46.º aniversário do 25 de Abril,  bem como a sua dimensão, a versão final que hoje os portugueses poderão ver será a de uma cerimónia pública com muitas restrições, cadeiras vazias e sem Guarda de Honra ou o Hino Nacional tocado ao vivo. Um dos símbolos nacionais tocará mesmo em versão gravada.  A culpa é da pandemia da covid-19, das imposições sanitárias mas também das circunstâncias, da discussão e a da afinação do evento para travar maior crispação.

Também não haverá o tradicional desfile de personalidades, com os cumprimentos e conversas de circunstância ou de corredor antes da cerimónia. Os cerca de 16 convidados para a cerimónia, entre os quais, por exemplo, o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, ou o Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, serão conduzidos aos seus lugares, onde estarão acauteladas as devidas distâncias e as regras de desinfeção dos espaços. Ao todo, vão estar 88 pessoas no Hemiciclo.

Mas o processo de afinação do evento teve vários momentos polémicos, com uma parte dos partidos a aprovarem a presença de 77 parlamentares no Hemiciclo. Uma semana depois da decisão de manter a sessão solene, as listas  de presenças dos próprios grupos parlamentares encurtaram. O PS passou de mais de 30 para 19, o PSD de 27 para não mais de 13, o que levou a um número par de presenças: 46, ou seja um quinto dos deputados, prosseguindo a experiências dos plenários sem votações em tempos de emergência.

A máscara não será obrigatória, mas alguns deputados equacionavam ontem levá-la ou, no limite, uma viseira ( a versão mais recente em plenário usada por alguns parlamentares).

Na mesa da Assembleia da República estarão o presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que tem estado a ouvir a sociedade civil em tempos de emergência no Palácio de Belém.

Caberá a Marcelo Rebelo de Sousa fazer o discurso mais aguardado da cerimónia, uma intervenção estimada em quinze minutos. Porém, o dia presidencial  só termina pela hora do jantar, depois de receber as várias associações culturais, desde editoras, autores, dança e cinema.

No Parlamento, discursam ainda Ana Catarina Mentes (PS), Rui Rio (líder do PSD), Moisés Ferreira (do BE),  Jerónimo de Sousa (PCP), Inês Sousa Real (PAN), João Cotrim de Figueiredo (IL) e André Ventura (Chega), além de um representante do CDS, numa cerimónia bastante encurtada. Joacine Katar Moreira não discursará, por ser deputada não-inscrita.

Os ex-Presidentes Jorge Sampaio (por razões de saúde) e Cavaco Silva (que não deu mais explicações) não participam na cerimónia. Da lista de antigos chefes de Estado, só Ramalho Eanes estará presente, apesar de discordar da modalidade escolhida.

Da Associação 25 de Abril estará  o general Luís Sequeira.

 

Concerto na Av. da Liberdade

Entretanto, o SOL apurou que a Câmara de Lisboa ordenou o encerramento total da Avenida da Liberdade para a realização de um concerto online evocativo do 25 de Abril – marcado para entre as 14h30 e as 15h. À semelhança do que acontece noutros municípios.

Para o evento da capital, em que Branko e Dino D’Santiago vão unir as suas vozes, estão destacados 65 agentes, cinco chefes e um oficial da PSP. O corte da circulação de trânsito na Av. da Liberdade será feito a meio da manhã, para permitir a montagem da estrutura metálica que servirá de palco ao concerto, e manter-se-á até ao final da tarde (desmontagem).