Internacional

O vírus da geoestratégia

A escalada para a arma nuclear afigura-se como uma eventualidade quase certa no caso de um conflito que envolva as grandes potências. Debelada a pandemia de 2020, uma boa dose de realismo nas relações entre os Estados – pouca retórica e freio nas ambições – será benéfica para afastar perigos maiores.

O vírus da geoestratégia

Sabemos bem – não têm os adolescentes o mérito de insistentemente no-lo recordar nos últimos meses? – como as alterações climáticas ameaçam a espécie humana. Tudo sugere que o desenfreado explorar de recursos para o benefício imediato de quase oito mil milhões de humanos, quase todos desejosos de partilhar nos padrões de consumo dos habitantes do Ocidente, sujeita o ecossistema a tensões intoleráveis. Trata-se de uma ameaça lenta e insidiosa, tanto mais difícil de evitar quanto ela está interligada com o próprio paradigma universal de desenvolvimento da economia. Quantos políticos ou organismos internacionais dar-se-ão verdadeiramente conta de que as taxas de crescimento económico – cujo vigor ansiosamente vigiam de trimestre a trimestre – são intrinsecamente incompatíveis com a preservação do ambiente?

Apesar de tudo, o perigo climático surge com uma atenuante: sendo as mudanças graduais, quanto mais elas se tornarem evidentes maior será o sentido de urgência em combatê-las. Assim, disporemos de décadas ­– não muitas, talvez ­– para obviar aos nossos erros.

Com o avançar de 2020, sabemos ainda melhor – como poderia ser de outra forma, quando a comunicação social nos transmite continuamente diretivas governamentais que regulamentam e praticamente suspendem a vida comunitária? – como a pandemia do coronavírus espalhou não só o pavor vital para os próximos dias e semanas, mas também a angústia da subsistência económica para os próximos meses, se não anos.

Se as perturbações climáticas deveriam preocupar os jovens em especial – pois serão eles a sofrer em pleno o seu impacte, dentro de algumas décadas –, o Covid-19 atemoriza com mais razão a geração sénior – os dados da sua letalidade seletiva justificam-no. No entanto, existe um outro perigo que, curiosamente, os mesmos humanos – a juventude é neste ponto conivente na omissão – tendem a recalcar desde há poucas décadas: o perigo de uma catástrofe nuclear. Não se tem em mente um desastre semelhante ao de Chernobil, ocorrido naquela cidade ucraniana em abril de 1986. Não, pensa-se em qualquer coisa de incomensuravelmente pior: o lançamento em fúria bélica dos arsenais estratégicos das duas grandes potências nucleares da atualidade – os Estados Unidos da América e a Federação Russa.

Trata-se de um paradoxo. Seria um pouco como alguém que vivesse num dado edifício estivesse em angústia mortal por saber que nele estava sujeito ao contacto com amianto ou com qualquer outro agente cancerígeno – ou com um outro veneno de efeito mais rápido, conceda-se, ao pensar no Covid-19 – e ao mesmo tempo demonstrasse relativa despreocupação com o facto de o mesmo edifício estar de tal forma minado com explosivos que um curto circuito acidental ou um ato propriamente malévolo poderiam fazê-lo implodir instantaneamente.

No quadro da atual pandemia tem-nos sido dado observar egoísmos nacionais, que podem levar os Estados a fechar fronteiras, a recusar atracagem a paquetes de pavilhão estrangeiro em aflição, a aliciar, ou mesmo a desviar, encomendas de precioso material médico. Mas, que diferença com os atos bélicos propriamente ditos! Neste último caso, o bote da agressão reptiliana emerge rápido do cérebro primevo, potenciado pelos recursos insondáveis do córtex humano.

Já passámos coletivamente por bem pior

Reconheça o leitor como lhe é permitido, graças ao bom funcionamento da rede de abastecimento de água, manter-se hidratado e tomar o seu banho com regularidade. De como, mantendo-se a infraestrutura de distribuição elétrica perfeitamente operacional, lhe é permitido dispor de alimentação refrigerada e acionar o seu televisor e computador. Para mais, a circunstância de os cabos submarinos e de os servidores, que são as infraestruturas básicas da Internet e da World Wide Web, se manterem incólumes têm-lhe, provavelmente, facultado trabalhar domiciliado.

A perturbação, para não dizer a obliteração, destas infraestruturas seria uma consequência imediata de qualquer início de hostilidades, mesmo que circunscrito ao uso de armas convencionais. Mas, a escalada para a arma nuclear surge como uma eventualidade quase certa, se o conflito envolver as grandes potências ­– recordem-se os resquícios reptilianos da agressão entre humanos.

Assim, as afirmações que será este o nosso momento definidor, o blitz que não vivemos oito décadas atrás, são tão hiperbólicas como desajustadas seriam as poses pretensamente churchillianas dos nossos dirigentes políticos. Sem querer minimizar o sofrimento humano provocado pelo Covid-19, sofrimento que é real, já passámos coletivamente por bem pior.

O espírito de 1945

Com o retorno à normalidade nas próximas semanas – processo que exigirá um sábio equilíbrio entre o controle da pandemia e a exigência de a sociedade retomar o nível de atividade normal – sobrevirão os ajustes de contas ideológicos e políticos, talvez sob o fundo de um temporário «Espírito de 1945» – tem-se em mente aquilo que Kenneth Loach nos transmitiu no seu documentário do mesmo título. Sem dúvida, os diversos serviços nacionais de saúde ficarão imunizados contra os insaciáveis apetites privados. Por quanto tempo não sabemos. A indústria turística, cuja hipertrofia é por demais aparente, sofrerá pelo efeito acelerador que teve na propagação da pandemia: se em 1918-1919 foram os portos o veículo principal para o alastramento da Gripe Espanhola, os aeroportos substituíram-se-lhes alegremente um século mais tarde na mesma tarefa para o Covid-19. A gigantesca pegada de carbono impressa na terra, nos céus e nos mares por milhões de turistas será reavaliada sob olhar mais severo, espera-se. A desindustrialização do Ocidente será ponderada com nova atenção e justamente. A excessiva financeirização da economia, que vai de par com a desindustrialização atrás referida, deverá ser mitigada. A fiscalidade deverá ser moralizada. Sabemos bem que a distribuição equitativa da fortuna dos «poucos ricos» pelos «muitos pobres» é uma falácia demagógica. No entanto, não é suficientemente reconhecido o efeito de sapa que a perceção da injustiça fiscal generalizada tem nos fundamentos da sociedade. Enfim, temas não faltam para serem debatidos no «período de acalmação» que deverá seguir-se ao debelar da pandemia, sob o fundo de um «Espírito de 1945», espera-se.

Mas, se a vida económica irá retomar o seu curso, o jogo de xadrez geoestratégico não lhe ficará muitos passos atrás. E neste último tabuleiro das relações entre grandes potências a acalmação será não menos desejável. Pedir neste campo um novo «Espírito de 1945» poderá parecer desajustado, se tivermos em conta que o último Verão da guerra assistiu à origem da Guerra Fria, bem como à obliteração de Hiroxima e de Nagasaki. No entanto, a «Cortina de Ferro», que então começou a ser erigida, acabaria por delimitar «de Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático», zonas interditas que seriam essencialmente respeitadas por ambas superpotências durante décadas. E isso proporcionou-nos a paz ou, pelo menos, a ausência de um embate direto entre as grandes potências, o qual teria, inevitavelmente, degenerado num conflito nuclear. A arma nuclear é a hipótese de último recurso e qualquer Estado que a ela recorra fá-lo-á unicamente quando considerar a sua sobrevivência em risco. O que é que pode levar um Estado a considerar-se em risco mortal?

O cordão sanitário facultado à União Soviética pelo seu controle político-militar das Democracias Populares na Europa Oriental foi essencialmente respeitado pelo Ocidente. Correspondendo a esta deferência, a União Soviética, por exemplo, nunca terá contemplado desembarcar na Lisboa do Verão de 1975 em apoio das forças revolucionárias de esquerda. Nem tampouco o PCP a tal apelou explicitamente, o que é indicativo.

Será ainda assim, neste ano de 2020 que corre, três décadas passadas sobre a Queda do Muro de Berlim? Haverá territórios que sejam considerados «demasiado arriscados», no sentido geoestratégico do termo? O que deveria levar qualquer um dos rivais a considerar uma dada região como a «no-go area»? Restrinja-se a análise aos Estados Unidos da América e à Federação Russa, potências que em conjunto dispõem de mais de noventa por cento do arsenal nuclear global. Apesar de estas duas potências rivais disporem de paridade aproximada no que respeita à arma nuclear, as diferenças nos restantes domínios são gritantes, em particular nas respetivas situações estratégicas.

 O magnífico isoalmento estratégico e a mentalidade de cerco

Os EUA beneficiam de um isolamento continental que coloca o essencial do seu território de cerca de 9 milhões de quilómetros quadrados a resguardo de rivais militares junto das suas fronteiras. O domínio das grandes rotas marítimas, proporcionado pela mais poderosa marinha de guerra da atualidade, reforça o magnífico isolamento estratégico do território dos EUA (face a uma ameaça convencional, frise-se, abstraindo, portanto, as armas estratégicas nucleares do adversário russo).

Do lado russo a situação afigura-se bem diferente. Se bem que uma enorme massa continental, com quase o dobro da área dos EUA, proporcione profundidade estratégica à Rússia, a zona europeia do país – que contém o núcleo populacional e económico do Estado – não beneficia da segurança do território norte-americano. Assim, S. Petersburgo, a segunda mais importante cidade da federação, dista menos de centena e meia de quilómetros de Narva, cidade fronteiriça da Estónia, território da NATO desde 2004.

De forma não surpreendente, verifica-se uma mentalidade de cerco que é exacerbada quase quotidianamente pela televisão estatal russa, órgão de comunicação que o Kremlin controla, por considerá-lo primordial. A ênfase posta nas comemorações da vitória soviética na Grande Guerra Patriótica – a designação de rigor para a guerra germano-russa de 1941-1945 – visa, precisamente, alertar para o facto de o inimigo estar às portas da Mãe Rússia.

Calcule-se, assim, o alarme com que a Rússia encararia a adesão da Ucrânia à NATO, quando estes dois Estados eslavos compartilham uma fronteira terrestre que, na sua extensão de quase dois mil quilómetros, desenha as próprias entranhas da Rússia Europeia. Muito do alarme que se seguiu no Ocidente aos acontecimentos de março de 2014, quando a Rússia dominou e anexou a península da Crimeia, procurou um outro paralelo no século XX: a anexação por Hitler dos territórios de língua alemã na Europa Central, alguns deles alienados pelo Tratado de Versailles.

Mas, o alarme de Churchill, que fazia sentido no final da década de 1930, é hoje utilizado de ânimo leve e tantas vezes a despropósito. Assim, no início de março de 2o14, a pouco mais de um ano de lançar a sua campanha presidencial, Hillary Clinton, numa reunião vedada a jornalistas, referiu-se à ação russa na Crimeia então em pleno desenvolvimento. Transpiraram estes termos: «Agora, se isto vos parece familiar, foi o que Hitler fez nos anos 30.» Outras figuras de relevo na política norte-americana, entre elas os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, secundaram prontamente H. Clinton no estabelecimento do paralelo.

No entanto, seis anos passados – um período que ultrapassou a duração da Segunda Grande Guerra –, as ações de Vladimir Putin, um líder que conta sessenta e sete anos de idade e vinte de poder, parecem guiadas por uma cautela bem pouco hitleriana. Putin, um realista em política externa, terá sido essencialmente reativo na crise ucraniana. Tal é a opinião de George S. Beebe, autor do recente título (2019), merecedor de leitura atenta: The Russia Trap, how our shadow war with Russia could spiral into nuclear catastrophe.

O enfoque de Beebe, antigo diretor de Análise Russa na CIA, insere-se numa linha para a política externa norte-americana classificada de realista. Esta linha, basicamente conservadora e que conforma uma influente escola de pensamento em relações internacionais, é avessa ao envolvimento direto excessivo dos Estados Unidos nos problemas que abundam na política mundial. Um lema caucionário apropriado para esta atitude poderia ser a velha máxima: «de boas intenções está o Inferno cheio». Assim, na ausência de uma verdadeira autoridade supranacional que imponha as suas regras, os Estados – considerados principais atores numa arena internacional reconhecida como essencialmente anárquica – agem racionalmente no seu interesse próprio e procuram o poder para a sua autopreservação, libertos, tanto quanto possível, das baias impostas por organizações internacionais. «Homo homini lupus est» («o homem é o lobo do homem»). Este juízo amargo, que surge ciclicamente da pena desencantada de grandes pensadores, poderia ser facilmente adaptado às relações entre Estados. E a História Universal revela-se verdadeiramente pródiga ao fornecer àquela escola uma plêiade de exemplos demonstrativos.

Mas, recentremo-nos na questão ucraniana. Com a crise da Crimeia em pleno desenvolvimento, Henry Kissinger, figura tutelar da escola realista da Diplomacia Americana, publicou no The Washington Post (5.3.2014) o artigo «How the Ukraine crisis ends». Desaconselhando a demonização de Vladimir Putin que considera «não ser uma política mas antes um alibi para a sua ausência», Kissinger advertiu: «O Ocidente deve compreender que, para a Rússia, a Ucrânia não pode ser um mero país estrangeiro. A história russa começou na que era então designada Rus de Kiev. A religião russa propagou-se dali. […] Algumas das mais importantes batalhas pela liberdade russa, começando na Batalha de Poltava em 1709, foram feridas no solo ucraniano.»

Seis anos decorridos sobre este juízo, ter-se-á a perspetiva da Rússia entretanto alterado? Numa recente série de entrevistas concedidas à agência Tass (transmitidas a partir de 20.2.2020) – Vinte questões colocadas a Vladimir Putin – surgiu, não inesperadamente, a questão ucraniana. Foram estas as palavras do Presidente da Rússia: «Tenho repetidamente afirmado que acredito que nós somos um único povo.» Aproveitou então para fazer uma resenha das seculares divergências e convergências entre os dois povos eslavos.

O destino da Ucrânia será tudo menos indiferente

Que não haja ilusão, a inclusão da Ucrânia – a da Geórgia, também, com toda a verosimilhança – na NATO será provavelmente considerada pela liderança russa como uma linha vermelha. E nessas circunstâncias não parece razoável partir do princípio que, caso a crise se agudize, Putin venha a ser a voz mais intransigente, eventualmente moderada pela dos seus colegas. Bem pelo contrário, suspeita-se que a eventual intransigência de Putin possa vir a resultar em boa medida da pressão de «falcões» no Conselho de Segurança da Rússia, um areópago cuja dinâmica interna nos é opaca.

Cite-se um excerto da entrevista concedida por Serguei Shoigu, Ministro da Defesa da Rússia (Moskovskij Komsomolets, 22.9.2019): «Os ucranianos são uma nação irmã. Os parentes da minha mãe vêm da Ucrânia. O meu avô lá está sepultado. A minha mãe ali sobreviveu à ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Foi da Ucrânia que os irmãos da minha mãe partiram para a linha da frente. E, já agora, fui batizado com a idade de cinco anos numa igreja da cidade de Stakhanov, região de Lugansk [Donbass]. E estou absolutamente convencido de que viveremos em paz e boa vizinhança com o povo ucraniano. O tempo para tal, disso estou seguro, chegará.» Sob o tom otimista e apaziguador, pressente-se que o destino da Ucrânia será tudo menos indiferente ao Ministro da Defesa da Rússia.

Neste tema grave, que tanto toca a consciência dos russos, a circunspeção é de bom tom. Pelo contrário, a retórica fácil e a pose belicosa são indesejáveis. No entanto, confira-se a seguinte declaração feita há poucos meses (13.11.2019) por Adam Schiff, o membro da Câmara de Representantes a quem coube abrir os procedimentos para o impeachment de Donald Trump: «Em 2014, a Rússia invadiu um aliado dos Estados Unidos, a Ucrânia, para reverter a adesão daquela nação ao Ocidente e para cumprir o desejo de Vladimir Putin de reconstruir o Império Russo.»

Robert W. Merry escreveu [Impeaching Trump And Demonizing Russia: Birds Of A Feather, The American Conservative (19.11.2019)]: «Mas, estes homens [referindo-se a deponentes nas audiências para o impeachment] adotam uma perspetiva da geopolítica que é simplista, temerária e perigosa. Talvez não devam ser seriamente acusados por isso pois essa é a perspetiva geopolítica adotada e prosseguida por quase todo o establishment da política externa, no qual esses homens são meros leais apparatchiks. No entanto, eles estão a participar na prossecução de uma política externa que está a encaminhar a América para um bem possível desastre.»

Ambiente tóxico

Poderia imaginar-se pior cenário? Ver a luta partidária norte-americana, onde o ambiente é verdadeiramente tóxico – em boa medida devido ao efeito polarizador da presidência de Donald Trump –, enredada na questão ucraniana, precisamente o foco de tensão internacional mais prenhe de ameaça.

Verdadeiramente, será a Ucrânia um assunto de force majeure para os EUA? Esta questão, subjacente ao improcedente processo de impeachment e que deveria ter merecido um prévio debate esclarecido e sereno, foi levantada sob a pressão da extrema mediatização dos procedimentos, pressão que sempre induz declarações menos refletidas.

Robert Merry não se fica por circunlóquios: «[os deponentes já referidos] personificaram esta perspetiva agressiva, destinada a encostar a Rússia a um canto geopolítico e a pisar os seus interesses regionais em nome do universalismo Ocidental. Se tal perspetiva continuar e levar a maiores tensões com a Rússia, não poderá acabar bem.»

George Shultz (Secretário de Estado de 1982 a 1989), William Perry (Secretário da Defesa de 1994 a 1997) e Sam Nunn (Senador Democrata de 1972 a 1997; uma voz autorizada no assunto da arma nuclear, ao qual dedicou boa parte da sua carreira política) alertaram no Wall Street Journal (10.4.2019): «Os Estados Unidos, os seus aliados e a Rússia estão apanhados numa perigosa paralisia política que poderá levar – mais provavelmente por erro ou mau cálculo – a uma confrontação militar e potencialmente ao uso de armas nucleares pela primeira vez em cerca de 74 anos.»

Conclua-se com o desejo de que, debelada a pandemia de 202o, se entre num período de «acalmação», imbuído, se possível do «Espírito de 1945». Que esse espírito perpasse a vida económica e social, mas a relação entre Estados, também. Uma boa dose de realismo – pouca retórica e freio nas ambições – será benéfica e afastará perigos maiores. Saúde e Paz a todos os leitores!

 

Jorge Filipe de Almeida, professor universitário

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