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O que nos ensinam as crianças durante a pandemia… se é que ensinam alguma coisa

Aprendemos a lidar com birras, a ceder, a não ceder, a ser mais ou menos tolerantes ­.

No meio de tudo o que a pandemia nos trouxe, uma das principais certezas para quem tem filhos é a de uma nova rotina.

Na esperança de que todos nos tornemos de repente super-heróis, pretende-se agora que eduquemos e tratemos das crianças, trabalhemos mais do que nunca, cuidemos da casa, cozinhemos e, de preferência, que ainda sejamos muito criativos e positivos, enquanto estamos fechados em casa.

Já todos lemos e ouvimos inúmeras teorias e não é preciso nenhuma ciência especial para perceber a real dificuldade do que nos estão a pedir.

Todos sabemos como eles estão sempre com fome, como é difícil fazer uma call em condições com eles por perto ou sequer concentrar numa qualquer tarefa básica. Todos sabemos como usamos os tablets para os calar, mas depois ‘ai meu deus que os miúdos já estão há muito tempo agarrados aos ecrãs’. Também eles estão entediados, também eles estão a lidar com algo nunca vivido e os padrões e regras de outrora têm que agora ser adaptados à luz do momento presente.

Mas no meio deste contexto as crianças podem-nos ensinar algumas coisas – se sobrevivermos a elas, claro – que podemos trazer para o nosso trabalho. E aqui focando especificamente no meu trabalho para as marcas e estratégias que trabalho diariamente.

Em primeiro lugar se há algo que eles nos ensinam é a ter paciência ou pelo menos assim deveria ser.

E a paciência vai ser muito precisa nos tempos que aí vêm  para lidar com novos comportamentos, novas preocupações, novos consumidores e novos desafios. Paciência para perceber e dar tempo às marcas e para esperar pelo melhor momento para fazer acontecer.

Ensinam-nos ainda que tudo vale…para as crianças não há limites à imaginação, ao que podem ou não fazer ou inventar – pelo menos até os pais dizerem que não – e essa sensação de liberdade e até de um poder ingénuo sobre o que nos vai acontecer pode ser chave na abordagem às marcas. Ser criativo, mas acima de tudo ser responsavelmente arrojado, num momento em que reinvenção é a palavra chave.

As crianças ensinam-nos ainda a ter uma capacidade de adaptação rápida. E esta será fundamental para que sobrevivamos neste mercado. Também aprendemos a lidar com birras, a ceder, a não ceder, a ser mais ou menos tolerante – tudo isto características importantes para vingarmos a nossa posição no cenário que aí vem e escolher bem as batalhas que vale a pena travar.

E estes são apenas alguns exemplos do que podemos hoje treinar em casa para depois aplicar fora dela e garantir que o mundo volta, dentro do possível, a entrar nos eixos.

E por último, as crianças ensinam-nos a sorrir, a ver o lado bom das coisas mesmo quando a nuvem negra se aproxima. Que sejamos capazes de assimilar essa capacidade e levá-la para os nossos trabalhos, para as nossas pessoas, que tanto vão precisar de ânimo e bons sentimentos para recomeçar.

Portanto, que, no meio do caos e do desespero que hoje vivemos em casa tentando ser tudo, consigamos aprender alguma coisa com eles… sempre conscientes que estamos a fazer o nosso melhor. E o nosso melhor é tudo o que eles precisam.

E tudo o que o mundo vai precisar daqui para a frente.

 

*Diretora Criativa Havas Sports & Entertainment