Política a Sério

A história a preto e branco

Nunca fui adepto de comemorações. Em miúdo, via as celebrações do fim da I Grande Guerra e olhava com pena para aquele grupo de velhinhos que ia minguando de ano para ano, até se extinguir.

E as comemorações do 10 de Junho também eram pungentes, sobretudo a partir do início da guerra colonial.

E as do 1.º de Dezembro, essencialmente comemorado por monárquicos, idem, aspas.,aspas.

E, assim, depois do 25 de Abril fui a poucas celebrações: estive no primeiro 1.º de Maio e pouco mais.

O passado interessa-me como História e não como objeto de veneração.

Vivi o 25 de Abril com enorme emoção.

Com imenso entusiasmo.

Mas no ano seguinte o 25 de Abril já não era o de 1974 – era sobretudo o que tinha acontecido desde aí.

E assim sucessivamente até hoje: é-me impossível recordar agora o 25 de Abril sem pensar no que sucedeu de bom e de mau nestes 46 anos.

Surpreendeu-me que pessoas da direita à esquerda tenham discutido acaloradamente as comemorações do 25 de Abril sem falarem do que entretanto aconteceu.

Eu não era capaz de o fazer.

No dia 25 de Abril, tudo estava em estado de pureza – num estado de brancura virginal.

A revolução estava no dia zero: não tinha nódoas nem pecados.

Mas no ano seguinte já não era assim.

E hoje muito menos.

Olhando para trás, é impossível não recordar a descolonização, que talvez não pudesse ter sido feita de outra maneira mas que deu origem a sangrentas guerras civis, com episódios de violência atroz, onde morreu muito mais gente do que morrera na guerra.

E o drama terrível dos regressados (detesto o termo ‘retornados’), muitos deles nascidos nas colónias portuguesas e cujas famílias lá viviam há mais de seis gerações.

 E a tentativa do PCP para tomar o poder, que arrastou a destruição de grandes empresas como a Lisnave ou a Sorefame.

E a ocupação arbitrária de terras, estragando património e deixando as herdades no caos.

E a delapidação do ouro do Banco de Portugal, bem como a nacionalização da banca, com consequências desastrosas.

E o afundamento de grande parte da nossa frota pesqueira.

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