Viver para Contar

Higiene Perfeita

Quando o período agudo da pandemia passar, devemos voltar aos nossos hábitos de higiene. Não devemos fechar-nos numa redoma esterilizada. O excesso de higiene pode ser tão ou mais perigoso do que a falta de higiene

Lavar as mãos com frequência, manter o distanciamento social, mudar de roupa e de calçado à chegada a casa, utilizar máscara em locais fechados, usar luvas em certas circunstâncias.

São estas, no essencial, as recomendações à população para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Recomendações sensatas. Que toda a gente deverá respeitar.

E até há quem diga que muitas destas normas deveriam respeitar-se em todas as circunstâncias, ou seja, fora do período de pandemia, pois são regras básicas de higiene.

Ora, julgo que um dos perigos desta pandemia da covid-19 é exatamente esse: criar um clima de medo nas populações que as leve a adotar regras que só se justificam em períodos de exceção.  Mais: que podem tornar-se perigosas em períodos de normalidade.

Conheci uma pessoa que tinha especiais cuidados de higiene. Quando chegava a casa mudava de roupa. Lavava o rosto e desinfetava as mãos com álcool. Fazia-o meticulosamente, sem nenhuma falha. Um dia, ainda relativamente nova, com pouco mais de 60 anos, foi fazer uma operação simples. A intervenção correu bem, só que, nos dias seguintes, começaram os problemas. E ao fim de uma semana faleceu. Causa: septicemia, isto é, infeção generalizada.

Aquela pessoa vivia numa redoma. Protegia-se em excesso. Não se expunha a bactérias nem a vírus. E assim o seu organismo foi perdendo as defesas. O seu sistema imunológico foi enfraquecendo. Os seus anticorpos para fazer frente a agressões exteriores ficaram reduzidos ao mínimo. E assim, um ataque ao qual outra pessoa resistiria com facilidade foi suficiente para a abater.

Leia o artigo na íntegra na edição impressa do SOL. Agora também pode receber o jornal em casa ou subscrever a nossa assinatura digital.