No meio de nós

O impasse vai-se instalar!

Muitos grupos cristãos continuaram a sua vida de piedade e de fé através das celebrações e dos encontros pelos novos sistemas de comunicação.

Quando escrevo estas linhas, ainda não há quaisquer orientações para a progressiva abertura das igrejas ao culto. Não há orientações, linhas de ação, preparação do futuro, nada! Isto pode parecer estranho, mas é verdade!
O dever de confinamento traz também consigo problemas intermináveis às igrejas, o primeiro de todos poderia ser suprido por uma regra chamada ‘bom senso’. Se houvesse bom senso, muitos dos problemas seria evitáveis. 

Em França, o bispo de Paris teve de fazer uma intervenção pública depois de ter sido preso um padre porque, no decorrer de uma celebração que estava a ser transmitida, a polícia entrou e parou a celebração. O problema? Tão somente estava a celebrar para seis pessoas – o organista, dois leitores, um acólitos e duas pessoas na assembleia.

Em Itália o episcopado lançou-se ao ar, quando ouviu o primeiro ministro apresentar as orientações para o fim do confinamento. Prevê-se que a igreja continue de portas fechadas, enquanto se prevê que abram, por exemplo, os museus.

Em Espanha, os bispos já lançaram as orientações para o levantamento das medidas de confinamento. Prevê-se que os mais velhos continuem a proteger-se em casa e não participem das celebrações. Há quatro fases distintas a começar no dia 18 de Maio. Basicamente as celebrações exigirão dos fiéis o uso de máscara e a participação de apenas um terço da capacidade total de lugares.

Em breve haverá uma abertura para começarmos a organizar as paróquias para participarem nas missas dominicais e feriais. Uma das coisas que exige das paróquias é que procurem nomear uma espécie de hostiários, responsáveis pelo acolhimento e disposição das pessoas para continuarem a cumprir o afastamento social.

Outra tarefa das comunidades cristãs está em convencer os cristãos de que podem participar da celebração da Eucaristia sem que haja quaisquer problemas de saúde pública. Esta tarefa presidirá à decisão dos cristãos de voltarem a celebrar os mistérios da sua fé.

Também a vida dos grupos. É curioso perceber que muitos grupos cristãos continuaram a sua vida de piedade e de fé através das celebrações e dos encontros pelos novos sistemas de comunicação. Penso que no futuro, esta será uma hipótese que não vai ser colocada de parte, a avaliar pelas regras que são determinadas em Espanha para a vida nas salas dos centros pastorais.

Há um outro ponto difícil de falar, mas que temos de enfrentar com coragem e determinação: as ofertas. Sabemos que teremos muita gente contra, muitas críticas, muitos problemas, mas temos de enfrentar.
Muitos pensam que a igreja nada em dinheiro. Mas se isso pode ser verdade num número muito reduzido de paróquias, a maioria vive das ofertas por ocasião da celebração dos sacramentos ou de outras ofertas livres dos fiéis. São poucas as que têm rendimentos fruto de arrendamentos do seu património ou de participações em sociedades económicas. 

Teremos de organizar as comunidades paroquiais de alguma forma para que se possa fazer frente aos encargos fixos que as igrejas continuam a ter, mesmo que sem ter celebrações: a água, a luz, os empregados, o sacerdote.
Este será um tempo muito duro para todos, mesmo para nós padres. Será um tempo de nos dirigirmos ao essencial, mas um tempo em que teremos de nos organizar de qualquer forma para podermos servir melhor os cristãos e encontrarmos um ponto de equilíbrio numa nova comunidade cristã que advirá desta crise.