Brilhante ou Frustrante?

Compasso a 3 tempos

O esforço e força de vontade das primeiras iniciativas são um custo baixo para a sensação de bem-estar e constante evolução que um bom hábito oferece.

Um qualquer indivíduo é definido pelos seus hábitos. A alteração dos mesmo e, consequentemente, da mente subconsciente, é uma ferramenta de inigualável relevância para o desenvolvimento de um jovem estudante.

A mente subconsciente, responsável pelo bater do coração (sobre o qual não temos controlo direto), é o regulador último das capacidades inatas e, por isso, dos “hábitos”. Para além do funcionamento do nosso organismo, esta parte da nossa mente é também o árbitro das principais atividades do nosso dia-a-dia. Se lermos o jornal todos os dias de manhã durante tempo suficiente (cerca de 60 dias seguidos, em média), a atividade em questão torna-se natural, intrínseca e, portanto, um hábito impresso no nosso subconsciente. Não o fazer, numa qualquer manhã, será suficiente para se sentir estranho, sem a habitual sensação de bem-estar produzida pela leitura.

Esses mesmos hábitos são um fator de desenvolvimento, caso sejam construtivos, onde pequenos incrementos regulares se acumulam para formar um indivíduo mais forte e saudável, mental e fisicamente, de tempos a tempos. Consequentemente, a construção de hábitos é uma ferramenta muito útil.

Estou certo de que o leitor procura, especialmente se for um jovem estudante, desenvolver-se e ganhar terreno aos seus objetivos, razão pela qual assumo que, como Michael Jordan que quer ser da sua área, não vá aos treinos de vez em quando, mas sim diariamente, possivelmente mais do que uma vez. O esforço e força de vontade das primeiras iniciativas são um custo baixo para a sensação de bem-estar e constante evolução que um bom hábito oferece. Não há nada como ultrapassar desafios com a naturalidade com que se lê o jornal ou se bebe água.

Circunstâncias como a imposta pelo covid-19 podem dar origem a bons e maus hábitos. É possível tanto que o leitor tenha desenvolvido a prática habitual de atividade física, como é possível que tenha visto séries e filmes por várias horas, diariamente. Consequentemente, julgo ser crucial consciencializarmo-nos das nossas ações mais regulares, analisando se são ou não construtivas nas nossas vidas e caso não o sejam, quais poderiam sê-lo. Um hábito dificilmente é eliminado, mas pode ser substituído por outro melhor.

Há uma melhoria de bem-estar subjacente à prática de hábitos construtivos, coerentes com os nossos objetivos, através da satisfação de uma das necessidades do ser humano: sentir que está a crescer e desenvolver-se.

Cada dia que escapamos à regularidade, é um dia em que deliberadamente optamos por desenvolver o hábito oposto. Se de facto sabemos o que é melhor para nós, alterar o nosso subconsciente implica a responsabilidade de redimensionar, espero que para melhor, a vida que buscamos e para a qual aprendemos e trabalhamos.

O desenvolvimento do intelecto é um compasso de 3 tempos: aprender conscientemente, desenvolver hábitos e, no final de cada dia, desfrutar do resultado.