Economia

Imobiliárias. Quebra no volume de negócios atinge 95% do setor

Inquérito da APEMIP indica ainda que 62,7% das mediadoras confirmaram a desistência de negócios em curso por parte de clientes. Em 19,8% dos casos, os clientes até já tinham celebrado o contrato de promessa de compra e venda.

Mais de 95% das imobiliárias portuguesas registaram quebras no volume de negócios e na procura por habitação no mês de abril, segundo o inquérito divulgado esta quarta-feira pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

O inquérito da APEMIP – junto de cerca de quatro mil empresas de mediação imobiliária a atuar em Portugal – permitiu conhecer melhor o impacto que a pandemia da covid-19 teve no setor. Segundo as conclusões, a quebra do volume de negócios foi sentida em 95,3% das empresas e a procura na ordem dos 92,5%.

Os dados disponíveis indicam que 62,7% das imobiliárias confirmaram a desistência de negócios em curso por parte de clientes, enquanto 19,8% admitiram a desistência de clientes que até já tinham celebrado o contrato de promessa de compra e venda.

O cenário de crise obrigou mesmo que 50% das empresas inquiridas suspendessem totalmente a sua atividade, enquanto 45,8% optaram por uma suspensão parcial.

No relatório, o presidente da APEMIP, Luís Lima, refere que “estes números demonstram que a atividade esteve praticamente parada durante o mês de abril”. “Como podemos ver nos resultados deste inquérito, a quebra de receitas das empresas foi brutal e é natural que tenha havido necessidade em recorrer aos apoios promovidos [pelo Governo], que não tenho dúvida de que ajudaram a garantir a sobrevivência de muitas empresas”, afirma.

Apesar da quebra verificada no setor, Luís Lima demonstra confiança em relação ao futuro, nomeadamente numa fase pós-pandemia: “Temos uma oportunidade da dinamização do mercado de arrendamento e do investimento para este setor (que se estima que cresça) e também uma janela de oportunidade na captação de não residentes para Portugal, que não sendo imediata poderá ser promovida pela generalização do teletrabalho e pela segurança que o país tem transmitido pela forma como está a lidar com esta crise sanitária”, conclui.