Opiniao

Opinião. Portugal/China: Marcelo sem Xi coração

A lua de mel entre Portugal e a China acabou – oxalá o Presidente Marcelo tenha a coragem e a liderança política (a mesma que tem sabido ter nos últimos meses de combate contra o inimigo invisível bem visível) para promover a distância de segurança (vital) que Portugal tanto precisa relativamente ao totalitarismo bárbaro e selvático do imperialismo sino-comunista.  

Mais uma vez, a opinião pública portuguesa não identificou cabalmente o significado do contacto telefónico estabelecido, na presente semana, entre o Presidente Marcelo e o Presidente Xi da República Popular da China. 
Na nossa última prosa aqui no SOL, escrevemos que o telefonema do Presidente Trump a Marcelo, ocorrido na passada semana, evidenciava a prioridade de Portugal para a política externa norte-americana, reafirmando-se aí a aliança amiga, histórica, baseada na liberdade e em valores comuns entre os dois países. A aliança inquebrantável entre Portugal e os EUA é “GREAT AGAIN”.

 Nessa ocasião, realçámos igualmente que a iniciativa dessa conversa amiga espelha que o Presidente Marcelo, com a sua inigualável intuição política, percebe que o vírus do Partido Comunista Chinês iniciará um novo capítulo na política externa portuguesa, contrariando a tendência recente para um “chinatropismo” das nossas elites: o distanciamento prudente e o quebrar sensato de dependências geradas nos últimos anos face à China comunista é uma questão de sobrevivência de Portugal como Estado soberano, livre e democrata.

A lua de mel entre Portugal e a China acabou – oxalá o Presidente Marcelo tenha a coragem e a liderança política (a mesma que tem sabido ter nos últimos meses de combate contra o inimigo invisível bem visível) para promover a distância de segurança (vital) que Portugal tanto precisa relativamente ao totalitarismo bárbaro e selvático do imperialismo sino-comunista.  

O primeiro sinal foi dado ontem: basta ao regime de Pequim percebê-lo bem. Nada será como dantes: os comunistas chineses são responsáveis pelos tempos sombrios que vivemos (e viveremos no plano económico). 
Basta, aliás, a este propósito confrontar as notas oficiais da Presidência da República Portuguesa alusivas a cada um dos contactos telefónicos: muito mais cordial e sinalizando uma relação mais efetiva e amiga a nota informativa sobre o telefonema do Presidente Trump do que a nota emitida, na quinta-feira: ora, nos meios político-diplomáticos, notas mais extensas tendem a significar conversas mais agastadas ou, pelo menos, que suscitam a necessidade acrescida de explicações. 

Por outro lado, o Presidente da República abstém-se de adjetivar a conversa tida com o homólogo chinês – o que é raro em Marcelo Rebelo de Sousa, cortando até com o estilo habitual adotado pelo Presidente português neste tipo de notas informativas.

 O tom da nota oficial confirma a informação que apurámos – de fonte de Belém - segundo a qual a conversa entre Marcelo e Xi foi fria, distante, nada empática, contrariando o grande calor humano notado (ainda que por meios telemáticos) na conversa tida com o Presidente Trump na sexta-feira transata. 
Ademais, Marcelo Rebelo de Sousa não faz uma única referência expressa à “Rota da Seda” – contrastando também com suas intervenções anteriores sobre a China - , falando apenas em cooperação em termos vagos e no quadro do multilateralismo. 

E percebe-se que a mensagem que o Presidente Marcelo queria passar era a de reprimenda pelo incumprimento pela parte chinesa dos compromissos assumidos em termos de entrega de material médico ao nosso país. 
Não é muito habitual – muito menos tratando-se do Presidente Marcelo – que as notas oficiais deem conta pública de críticas e “puxões de orelhas” entre Chefes de Estado – pois bem, o Presidente português quis censurar a falta de palavra das autoridades chinesas publicamente. 

Numa palavra: foi uma conversa humanamente gélida; politicamente desconfiada; diplomaticamente reveladora de que o Presidente Marcelo já não alinha com o Governo de António Costa na sua submissão aos novos “Donos  Disto Tudo” chineses. 

Dito isto, perguntarão as leitoras e os leitores: como é que a conversa entre os Presidentes português e chinês foi encarada na China? 

Ora, curiosamente, o tom das informações veiculados pelo regime comunista chinês é bem diverso. A propaganda chinesa está vendendo a conversa tido com o Presidente português colorindo-a de tons amistosos na forma, misturando-os com tonalidades de sobranceria e quase subordinação no conteúdo. 

Ou seja: a China está atuando como um verdadeiro regime imperialista face ao país que foi conquistado…

De facto, as autoridades chinesas, no relato da conversa com o Presidente Marcelo, indicaram que o Presidente Xi relembrou Marcelo da necessidade de prosseguir a construção do programa “One Belt, One Road” – a qual, segundo o Querido líder chinês, impõe-se mais do que nunca no período pós-pandemia: o projeto chinês seria a forma mais lídima de multilateralismo. 

Por outro lado, o Presidente Xi salientou, junto de Marcelo, que Portugal deve colaborar com a China em projetos no espaço da lusofonia – salientando que a cooperação entre os dois países também é desenvolvida com recurso às chamadas “parceiras com terceiros” (third-party cooperation). 

Esta é uma técnica típica do multilateralismo à maneira chinesa: envolver as empresas privadas do Ocidente na construção do “One Belt, One Road” (projeto imperialista chinês à escala global); assim como, envolver empresas públicas chinesas (totalmente dependentes do Partido Comunista Chinês) nas economias de mercado ocidentais. 
As autoridades chinesas – e os meios de propaganda do Estado imperialista comunista asiático – estão promovendo a ideia de que o telefonema foi motivado, essencialmente, pela necessidade de relembrar o Presidente português de que Portugal é parte integrante do projeto chinês; dele não poderá abdicar. 

Acrescentando, em nota final, que ele e Marcelo partilham uma amizade pessoal (este aspeto não é um mero pormenor: é outra peculiaridade da diplomacia chinesa – os informadores do regime chinês, em Portugal, fizeram chegar a Pequim os pormenores da chamada do Presidente Trump ao Presidente Marcelo, onde, como nós escrevemos, ficou patente a empatia pessoal e o calor humana entre os dois Chefes de Estado – o Querido Líder chinês quis, pois, imitar, replicar a tonalidade pessoal do telefona do líder norte-americano) , que não poderá ser esquecida.

Não é demais salientar, até atendendo à atitude do Presidente Xi, que as autoridades portuguesas colocaram-se numa posição delicada de subordinação ao regime imperialista sino-comunista – e vão (vamos!) sofrer as consequências no futuro muito próximo. 

E quanto ao problema do fornecimento de material médico chinês a Portugal, adquirido no âmbito do combate ao vírus do Partido Comunista Chinês? Ora, este é um aspeto muitíssimo curioso. 

Segundo a nota do Presidente da República, o Presidente Marcelo terá pedido contas ao Presidente chinês pelo incumprimento chinês dos compromissos assumidos: Portugal pagou material médito; a China recebeu o nosso dinheiro e reteve o material adquirido (já agora, alguém viu isto reportado na comunicação social portuguesa – ou, como o autor destas linhas, só viram o incessante endeusamento das “doações” de empresas e “grupos de amigos” da China?). 

O nosso Presidente terá, ainda e em conformidade, solicitado a intervenção do homólogo da China imperialista e comunista. 

Esta atitude do Presidente Marcelo mostra a gravidade da situação de incumprimento e desonestidade do regime chinês: caso contrário, Marcelo não a teria denunciado, em termos tão assertivos, ao seu homólogo imperialista-comunista. 

Recordam-se da reportagem da “Sábado” sobre a forma como o Embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, é tratado lá como um estrela, de há duas semanas? Ora, a razão de ser deste protagonismo do Embaixador José Augusto Duarte é precisamente o facto de ser muito próximo do Presidente Marcelo, tendo saído do Palácio de Belém diretamente para a liderança da missão diplomática nacional na China. 

O que se terá passado, entretanto? O Embaixador José Augusto Duarte passou informações ao Presidente Marcelo que mostram que, afinal, os atrasos não se devem à “procura no mercado internacional”, como justificou inicialmente? 
Já a nota das autoridades chinesas omite este ponto da conversa: antes apenas informa que o Presidente Xi manifestou a sua total solidariedade com Portugal, oferecendo ajuda na medida das possibilidades chinesas. Retenha-se: na medida das possibilidades chinesas. 

 Não há qualquer menção à advertência-reclamação do Presidente português face ao incumprimento (e cumprimento defeituoso –entrega de ventiladores com indicações e botões em mandarim) da China, em momento tão delicado. Culpa de quem? Diríamos que as autoridades portuguesas não estão aqui – sem desculpar a grosseira culpa e desrespeito diplomático e institucional por parte da China imperialista face ao nosso país e ao povo português – isentas de responsabilidade: foram muito ingénuas. 

Efectivamente, como acreditaram que o vírus do Partido Comunsita Chinês poderia ser combatido com material…do regime chinês? Não se percebe…

O povo português exige saber em detalhe, os termos das negociatas entre o Governo português e as autoridades da China imperialista e comunista – quais foram as contrapartidas prometidas pelos socialistas? Pelo Primeiro-Ministro? Como foi definido o preço? Que autoridades – públicas e sobretudo privadas – estiveram envolvidas? 
Esta é uma questão de vital importância; a transparência do Estado, vital à democracia, não está de quarentena – nem mesmo está confinada a medidas de distanciamento social. 

Parece, no entanto, que já é moda que a transparência e a colocação do interesse público acima de interesses partidários estejam sob apertadas medidas de distanciamento social(ista). 

Em suma, a intervenção diplomática do Presidente Marcelo mostrou, em tempos de combate ao vírus do Partido Comunista Chinês, que um novo ciclo se inicia na política externa nacional. 

A relação de amor e deslumbramento do Presidente da República – talvez apenas para acompanhar o posicionamento do Governo socialista – pela China já terminou. 

Portugal tem de acordar para o perigo que representa o imperialismo sino-comunista – é uma ameaça existencial. 
Para a nossa geração e para as gerações futuras. 

A China é bem pior comparativamente com a ameaça que a União Soviética constituiu para os nossos pais, nossos avós, nossos bisavós.  

Se pretendemos um futuro em democracia e em liberdade, não poderemos mais tolerar o aumento da influência chinesa entre nós.

Jamais poderemos esquecer, como o vírus que agora enfrentamos demonstra à exaustão, que a China é capaz de tudo para prosseguir os seus fins e interesses estratégicos. 

Que o Presidente Marcelo nunca se esqueça e se recorde doravante de impor ao Governo o princípio fundamental de que Aliados nunca podem ser substituídos por amigos de conveniência, muito menos quando estes são Estados totalitários com ambições imperialistas. 

As máscaras made in (e stuck in) China (ainda que atrasadas ou defeituosas) não escondem a verdadeira face totalitária desta China (dominada pelo bárbaro Partido Comunista Chinês).