Economia

Novo Banco. Injeção gera polémica da esquerda à direita

António Costa garantira que o Novo Banco não recebia mais dinheiro do Estado até resultados de auditoria, mas recebeu. Primeiro-ministro pediu depois desculpa, mas a oposição não perdoou. 

Desde a venda do Novo Banco, em 2017, foi criado um mecanismo de fundo de resolução para injetar capital no banco. Desde essa altura, as injeções foram feitas no mês de maio e este ano não foi exceção, mas causou alguma polémica. Ora, o primeiro-ministro, António Costa, garantiu que o Novo Banco não receberia mais dinheiro do Estado até haver “nova auditoria”. “Não haverá nenhuma injeção do Fundo de Resolução no Novo Banco até se conhecer a auditoria que está prometida, que está contratualizada e que tem de ser pública”, assegurou o primeiro-ministro em pleno debate quinzenal. Mas não era bem assim. 

Mais tarde, explicou não ter sido informado pelo Ministério das Finanças do pagamento de 850 milhões de euros - que, afinal, aconteceu - e pediu desculpa. “Não tinha sido informado que, na véspera, o Ministério das Finanças tinha procedido a esse pagamento”, confessou António Costa, justificando assim o facto de ter garantido a Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, que nenhum pagamento tinha sido feito.

No entanto, a líder bloquista não concorda com a injeção. “Em todo o caso, julgo que o mais relevante e mais chocante para o Bloco de Esquerda é o facto de ter sido feita a injeção sem conhecermos os resultados da auditoria”, afirmou Catarina Martins.

Também o PAN se mostrou revoltado com a injeção no Novo Banco, que considerou “irresponsável”, prevendo que “poderá comprometer ainda mais os resultados orçamentais e a responsabilidade financeira do nosso país neste ano”.

“Desde o início da crise sanitária que o PAN tem defendido que estes 850 milhões de euros não deveriam ser injetados pelo Governo no Fundo de Resolução, tendo em conta que neste momento seriam mais necessários para fazer face às graves consequências sociais e economias desta crise”, destacou André Silva, porta-voz do partido.

Do lado do Chega, as críticas ao Executivo também não tardaram a chegar. Em comunicado, o partido exige “a devolução desse dinheiro ao Estado enquanto não esteja concluída a auditoria ao Novo Banco, tal como tinha sido garantido pelo primeiro-ministro”.

E vai mais longe ao questionar mesmo quem manda no Governo: “O Chega manifesta a sua mais firme estupefação pela injeção de 850 milhões de euros, aparentemente desconhecida do primeiro-ministro. É caso para perguntar: quem manda no Governo, António Costa ou Mário Centeno?”

O partido presidido por André Ventura continuou ainda, na nota, as críticas ao Governo. “Este é um dos casos que mostram bem a incongruência e desfaçatez do Governo: esmifrar à classe média enquanto continua a sustentar a banca, atirando areia para os olhos de todos”.