Economia

Montepio. Eugénio Rosa diz que futuro do banco está comprometido

Economista lamenta a falta de intervenção do Banco de Portugal e do ministério do Trabalho na intervenção da instituição financeira. Dona do banco está também debaixo de fogo depois de ter contratado Paulo Pedroso como consultor.

O Banco Montepio tem o seu futuro comprometido. O alerta é dado pelo economista Eugénio Rosa ao lembrar que, em quatro anos, o ativo líquido da instituição financeira reduziu-se em 16,1%, lamentando ainda o atraso na apresentação de contas.

Recorde-se que o banco liderado por Pedro Leitão apresentou, na semana passada, os resultados referentes a 2019 ao apresentar lucros de 21,7 milhões de euros em 2019, um aumento de 59,6% face aos 13,6 milhões de euros registados em 2018. A instituição financeira explica que, esta “evolução favorável foi suportada nos desempenhos do produto bancário, que aumentou 13,8%, e dos custos operacionais, que diminuíram 2,1%”.

No entanto, as contas não convencem o economista. E dá exemplos: “Um aspeto ainda mais preocupante é a redução, todos os anos, do negócio bancário, traduzida na redução, também todos os anos, da sua carteira de crédito”. Com efeito, a carteira de crédito passou de 14662 milhões de euros, em 2015, para 11465 milhões, em 2019, o que representa uma diminuição de 3198 milhões de euros. Só em 2019, segundo Eugénio Rosa, a redução foi de 526 milhões.

Ao mesmo tempo, de acordo com o responsável, o novo crédito concedido “não está a ser suficiente para compensar o crédito liquidado e o crédito amortizado, o que é dramático em termos de futuro para o Banco Montepio”. O mesmo cenário repete-se com os depósitos ao baixarem de 12969 milhões, em 2015, para 12525 milhões, em 2019. No período de quatro anos, os recursos de clientes e outros empréstimos diminuíram 444 milhões de euros.

Eugénio Rosa chama também a atenção para a redução entre o ativo e passivo. Entre 2017 e 2019, os capitais próprios do Banco Montepio reduziram-se de 1730 milhões de euros para apenas 1452 milhões. “Desapareceram” 278 milhões, devido a imparidades e menos-valias que foram contabilizadas diretamente na conta de capital indo diretamente para “reservas” que, no fim de 2019, eram negativas atingindo o enorme montante de -920 milhões”.

Outra crítica diz respeito ao número de reclamações dos clientes que aumentaram 41,1% atingindo as 5685, o que no seu entender, “mostra que alguma coisa vai mal no funcionamento do Banco Montepio e não são apenas as contas e os resultados apresentados”. 

Eugénio Rosa apontada ainda o dedo ao Banco de Portugal e ao ministério do Trabalho. “Apesar dos problemas que se acumulam no Banco Montepio, o Banco de Portugal nada fez e faz, e o Ministério do Trabalho, tem em seu poder um projeto de estatutos há quase um ano para se pronunciar, o que ainda não fez, permitindo o agravamento da situação na Associação Mutualista. Ambos são responsáveis pelo que acontecer no Montepio”, refere.

Pedroso na mutualista

Mas as polémicas continuam em torno da dona do Montepio com a contratação de Paulo Pedroso para consultor da Associação Mutualista Montepio Geral. Ao que o i apurou, o nome já tinha sido escolhido ainda na liderança de Tomás Correia, mas agora com a Virgílio Lima sofreu uma mudança de funções com a associação a justificar esta escolha com a realização de “estudos concretos de âmbito mutualista e de economia social que a Associação Mutualista pretende realizar”. 

E adianta que a função deste cargo irá manter-se até à conclusão dos estudos que vão estar em cima da mesa. 
 Paulo Pedroso junta-se à associação com mais de 160 mil associados, cuja administração de quatro elementos conta com dois membros ligados ao PS (um ex-autarca – Carlos Beato, antigo presidente da câmara municipal de Grândola e uma ex-deputada – Idália Serrão), havendo ainda quatro conselheiros com ligações aos socialistas.