Economia

Crédito habitação. Bancos emprestaram 952 milhões em março

Feitas as contas, dá uma média de quase 31 milhões de euros por dia. Crédito ao consumo recuou.

A concessão de crédito à habitação ainda não está a sentir os reflexos da pandemia provocada pela covid-19. E os números falam por si. Só em março, os bancos deram 952 milhões de euros para a compra de casa, o que representa um aumento de quase 4% face a fevereiro (altura em que foi concedido 919 milhões de euros) e uma subida de mais de 9% em comparação com o mesmo mês do ano passado (870 milhões de euros). Trata-se ainda de um novo máximo desde 2008, em termos homólogos, revelam os dados do Banco de Portugal. Feitas as contas, dá uma média de quase 31 milhões de euros por dia. 

No entanto, esta subida poderá ser justificada por, nesse mês, estarem a ser concluídos os processos de crédito à habitação, uma vez, que coincidiu com o período de confinamento para a maioria dos portugueses. 

Já em relação ao crédito ao consumo, os bancos concederam 421 milhões de euros, o que representa um recuo de 10% face ao mês anterior (469 milhões de euros), no entanto, comparativamente a março do ano passado, ocorreu um acréscimo de 8%.

Nos empréstimos às famílias com outros fins, o cenário repetiu-se. Foram concedidos 240 milhões de euros em março, menos 3% em relação ao mês anterior. Face a março do ano passado, constata-se um aumento de 25% no valor concedido.

Os novos recordes surgem mais de um ano depois de terem entrado em vigor as novas recomendações do BdP que têm como objetivo limitar a concessão de crédito por parte das instituições financeiras de forma a que as famílias apenas gastem metade do seu rendimento com empréstimos bancários e também que os bancos não assumam riscos excessivos nos novos créditos, garantindo que os clientes tenham capacidade de pagar as dívidas. 

Estas limitações surgiram depois de o Banco de Portugal ter admitido que havia “alguns sinais” de sobrevalorização dos preços do imobiliário, embora limitados. Para já, estas regras são apenas uma recomendação – ainda que os bancos que não as cumpram tenham de se explicar –, mas o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, chegou a admitir que, se os bancos não as respeitarem, poderão passar de recomendações a ordens vinculativas.