Sociedade

Profissionais de saúde podem voltar a gozar férias

Secretário de Estado da Saúde realçou que é preciso “devolver alguma normalidade à vida dos profissionais de saúde”. Desta forma, o Ministério da Saúde decidiu revogar o despacho de 15 de março que “restringia o gozo de férias dos profissionais de saúde".


António Sales, secretário de Estado da Saúde, e Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, iniciaram a conferência de imprensa desta terça-feira, dia em que se assinala o Dia Internacional do Enfermeiro, a agradecer e elogiar todo o trabalho dos enfermeiros, bem como da Ordem dos Enfermeiros, nomeadamente da bastonária, Ana Rita Cavaco.

"Os enfermeiros são uma das maiores forças do trabalho do SNS", destacou António Sales, que aproveitou o momento para revelar que o Ministério da Saúde revogou o despacho de 15 de março que restringia o gozo de férias pelos profissionais de saúde, devido à pandemia de covid-19. Assim, está novamente autorizado o gozo de férias pelos profissionais de saúde, desde que não seja "posto em causa o serviço" prestado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Numa altura em que as creches estão prestes a ser reabertas, as visitas aos lares vão ser retomadas e o regresso do futebol está em cima da mesa, Graça Freitas foi questionada sobre a contestação de algumas orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para o retorno destas atividades, nomeadamente se as regras foram definidas apenas pela DGS, a responsável esclareceu que "não faz sentido a DGS fazer regras desfasadas da realidade e das pessoas que as vão aplicar", explicando assim que cada regra, informação ou orientação, é negociada com outros parceiros, nomeadamente entidades privadas.

Neste sentido, a diretora-geral da Saúde disse ainda que têm sido feitos vários rastreios, especialmente na comunidade que trabalha em creches, que irão retomar o funcionamento, desde educadores de infância a auxiliares.

"A prioridade é trabalhar nos rastreios da comunidade educativa que vai participar na reabertura das creches. Por outro lado, continuar no apoio aos testes para os lares e também a comunidade prisional", disse a responsável.

Também António Sales explicou que o Ministério da Saúde está de acordo que se retomem as visitas no dia 18 de maio aos lares, lembrando que devem ser cumpridas todas as medidas de segurança apontadas pela DGS e que a retoma das visitas é muito importante para a saúde mental dos idosos.

Na mesma conferência de imprensa foi ainda discutida a vinda dos emigrantes a Portugal em férias. O secretário de Estado da Saúde explicou que as medidas estão a ser articuladas "com os diferentes países e as diferentes proveniências". Contudo, ainda nada está definido.

"Ainda não temos nada definido. As medidas vão ser articuladas com os países de proveniência dos nossos migrantes. Essas medidas têm que ver também com a evolução e a proporcionalidade do surto", explica o secretário de Estado, acrescentando que se tem estado em contacto, por exemplo, com o Governo espanhol, para a possível reabertura das fronteiras.

Questionado sobre a possibilidade de serem implementadas algumas restrições, nomeadamente quarentena obrigatória, Sales diz que é preciso avaliar o dinamismo do surto e que tudo depende da evolução do mesmo.

No geral, António Sales assegurou que, se necessário, o Governo pode decidir "retomar algumas medidas", entretanto levantadas, caso haja uma segunda vaga da pandemia, mas admitiu que não acredita que haja uma segunda vaga no país tendo em conta o comportamento dos portugueses.

"Se tivermos esta consciência cívica que temos tido, Portugal não terá uma segunda vaga", garante o governante.

Questionada sobre o que é realmente certo e eficaz para evitar a propagação da covid-19, Graça Freitas voltou a dizer que existem muitas incertezas acerca da covid-19. Contudo, realça que existe uma certeza: a forma de contaminação. As pessoas podem ser contaminadas por via direta (de uma pessoa para a outra por transmissão de gotículas, através de um espirro ou tosse, por exemplo) e por via indireta, através de superfícies onde se encontra o vírus. Desta forma, os métodos mais eficazes para evitar ser contaminado pelo novo coronavírus são o distanciamento físico, o uso de máscara em locais fechados, como complemento, as medidas de higiene e etiqueta respiratória (não tossir, não espirrar ou falar para a cara de outra pessoa), lavagem frequente das mãos e a higiene das superfícies e dos objetos, nomeadamente deixar os sapatos à entrada depois de ir ao supermercado, etc.

"Uma única medida pode não ser eficiente, mas o conjunto de boas práticas minimiza o risco", disse a responsável.

Confrontada com o facto de alguns pais estarem a contactar pediatras para crianças serem vacinadas com a BCG, Graça Freitas admite que há alguns estudos, embora com um "grau de robustez ténue" de que a vacina da BCG pode ser eficaz contra a covid-19. Desta forma, e tendo em conta, que os estudos "não têm robustez nessa informação" não há motivo para alterar o Plano Nacional de Vacinação, apela a responsável.