Opiniao

Tempo de agir

É necessário que os empresários não percam um minuto e passem à ação, adotando novas formas de gestão, solicitando apoios e até ajuda exterior, para conseguirem levar o barco a bom porto.

Nunca uma crise desta dimensão foi tão única como surpreendente. E grave.

São novos os desafios que se apresentam às empresas e, também por isso, as respostas a dar não podem ser convencionais.

Não serão suficientes os mecanismos já existentes. São preciso novos, diferentes e, mesmo esses, terão de ser agilizados, consoante as diferentes premissas de cada empresa.

Há, no entanto, alguns passos que, dados desde já, podem proporcionar vantagens comparativas. 

Quem avançar primeiro ganhará, com maior probabilidade, a possibilidade de garantir o sucesso.

Saber priorizar as ações a empreender será o caminho que trará o futuro.

Sejamos concretos e objetivos.

A reestruturação do passivo, a adopção de novas metodologias que permitam, em tempo real, mostrar se o empresário está a ganhar ou a perder dinheiro ou até a reinvenção do seu negócio é o que está, agora, em cima da mesa. 
Esta crise, derivada do coronavírus, veio afectar todos os agentes económicos, sem exceção. Por isso, é necessário preparar os empresários e as empresas para o novo paradigma que vamos ter pela frente.

O empresário vai deparar-se com um novo cenário económico, novas necessidades de gestão, melhor e mais rápida comunicação e, essencialmente, preparar a empresa para novos modelos de gestão.

As linhas de crédito covid-19 deverão servir para financiar futuramente o negócio da empresa e não para tapar os ‘buracos’ que a empresa já possuía antes da pandemia. Caso contrário, o ‘buraco’ apenas será dilatado e, é claro, terá obrigatoriamente de ser pago.

A maioria das empresas está a trabalhar parcialmente, mas isso não significa que o empresário esteja a ganhar dinheiro. 
Por exemplo, com a baixa de encomendas e com o mesmo número de trabalhadores, o produto ou o serviço prestado está a ter um preço e um tempo superior na sua elaboração, do que teria em condições normais, o que significa que poderá estar a sair mais caro, pois o que antes levava uma hora a ser produzido, custa agora três horas de trabalho pago. 

O dinheiro que o Estado garantiu ao tecido empresarial ainda não chegou às empresas, designadamente os pagamentos devidos àquelas que requereram lay-off, que se encontram com um atraso considerável. A acrescer, o empresário enfrenta, diária e mensalmente, outros e diversos problemas, nomeadamente o pagamento de salários, a quebra abrupta de encomendas, o pagamento das obrigações fiscais. Uma mão cheia de problemas.

E que nenhum empresário se contente com novas certezas. Sem ação, em breve serão falsas esperanças.
As formas de apoio financeiro apresentado pelo Estado neste momento de urgência, mesmo insuficientes, vão acabar. Apesar do Estado ter a obrigação de ajudar a alavancar a economia, no futuro, as regras para os apoios serão muito mais exigentes, mais rigorosas e objetivas, com novos critérios e de mais difícil acesso.

Nessa altura, as empresas que estiverem menos preparadas e com menos informação financeira e económica não vão conseguir acompanhar este novo tempo. 

É, pois, necessário que os empresários não percam um minuto e passem à ação, de imediato, adotando novas formas de gestão, solicitando apoios e até ajuda exterior à empresa, para conseguirem levar o barco a bom porto.

Concluindo, há uma nau para comandar, cheia de marinheiros famintos, as provisões acabaram e, como se tudo isto não bastasse, ainda há um mar inteiro para navegar.

Mar calmo nunca fez bons marinheiros, mas em tempo de tempestades, quem souber prevenir-se, agindo primeiro, salvar-se-á do naufrágio.

Miguel Garcez, Consultor