Economia

Autoeuropa. Fábrica ainda à espera do aumento da procura

Fábrica de Palmela apontava para a produção de mais de 250 mil unidades até ao final do ano, mas meta ficou comprometida com pandemia.

Apesar da Autoeuropa já ter retomado a sua atividade no final de abril, a fábrica de Palmela admite que a procura ainda é pouca. A “culpa” é do atraso do regresso da procura na Europa. “Ainda estamos a fazer um pouco de gestão de crise. Temos encomendas que, para já, não são recuperáveis”, afirmou Miguel Sanches, CEO da Autoeuropa que recebeu a visita de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa. 

O ritmo de produção na Autoeuropa é mais baixo do que antes da pandemia do novo coronavírus: há apenas dois turnos de laboração – de manhã e à tarde – no máximo de seis horas e não com as oito horas diárias. Com esta redução laboral, cerca de metade dos trabalhadores (perto de 2300) trabalham numa semana e a outra metade irá trabalhar na semana segunda. Só a partir de 11 de maio é que a Autoeuropa irá passar a funcionar com três turnos diários de oito horas, cinco dias por semana, num total de 15 turnos por semana.

Recorde-se que a empresa recorreu ao layoff para os trabalhadores que não regressem nessa data, garantindo, no entanto, a totalidade das remunerações. 

A fábrica de Palmela suspendeu a sua atividade a 16 de março e, com esta medida, a Autoeuropa deixou de produzir 17250 automóveis, o que altera as previsões iniciais para o conjunto do ano que apontavam para mais de 250 mil unidades. 

Fábricas em stand-by

A PSA Mangualde, do grupo Peugeot-Citroën, continua a aguardar condições de mercado para reabrir a sua produção, depois de ter suspendido a sua atividade a 18 de março.

No entanto, o fabricante automóvel já anunciou que o seu centro de produção está “pronto para retomar a atividade”, graças à implementação de medidas sanitárias reforçadas. A PSA de Mangualde disse ainda que “o calendário para retomar a atividade, que se fará no contexto do diálogo social com a representação dos trabalhadores, ainda não está definido e terá em conta a capacidade de funcionamento permitida pelas autoridades para as empresas exercerem a atividade industrial e comercial”.

O mesmo cenário repetiu-se na Renault Cacia, em Aveiro, que também suspendeu a atividade no final de março e na Toyota, em Ovar. 

Para o secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), o impacto do novo coronavírus no setor “é complicado” e comparou-o a uma “terceira guerra mundial para a economia”. Para Hélder Pedro não há dúvidas: o “cenário é complicado” para o setor e tem tendência para piorar. Os últimos dados, apontam para uma quebra de vendas de 57% em março.

“Em 2009, tivemos uma crise profunda e difícil, houve uma redução de procura, mas não houve esta situação de encerrar as fábricas”,acrescentando que “a montante temos os fornecedores de componentes, que não muitas vezes pequenas empresas que vão deixar de fornecer, e a jusante os distribuidores, que deixam de ter veículos para distribuir, tudo isto associado à crise de confiança económica é muito problemático”.