Cultura

Salgari. O triste fim do pai de Sandokan o Tigre da Malásia

Emilio Salgari, italiano de Verona, criou o Senhor de Mompracém baseado na vida de um navegador espanhol,  Carlos Cuarteroni que, farto da marinha mercante, se tornou no maior pescador de pérolas do Mar da China. Deu-lhe um amigo português, que ora se chamava Gastão ou Yañez, dependia. No dia 25 de abril de 1911, abriu o ventre e a garganta a si próprio com uma lâmina de barbear.

O grande cronista brasileiro, Nelson Rodrigues, costumava dizer que começou a ler Zola ainda antes de saber o que eram nádegas. Sandokan fez-me querer ter uma cimitarra e sair por aí, pelas selvas, a espadeirar tigres e cipaios antes de ter conseguido que o meu pai me oferecesse uma amostra de sabre feita de plástico, com um rubi de pacotilha no punho, e descobrisse que shipahis (em híndi, quer dizer precisamente, soldado), eram os soldados indianos recrutados pela Companhia Britânica das Índias Orientais, sendo que o termo se alargou a todos os asiáticos que faziam parte dos exércitos coloniais.

Com Sandokan fui à Índia e à Malásia, e a Java e a Bengala. E depois, quando fui mesmo a todos esses lugares, ele foi comigo, inevitavelmente, preso nas teias da memória. Ele, o seu amigo português, Gastão, que em certas edições da Romano Torres ganhava o nome espanholado de Yañez, e Tremal-Naik que lhe era mais fiel do que uma pantera amestrada. A Mompracem, a Ilha-que-Desaparecia, não fui. Não há nenhuma Mompracem nos mapas nem nos globos terrestres. Para os estudiosos de Emilio Salgari, natural de Verona, nascido no dia 21 de Agosto de 1862, o autor de uma obra infinita de aventuras que levou gerações inteiras de adolescentes a dar a volta ao mundo, Giuliu Raiola e Bianca Maria Gerlich, Mompracem seria a atual Keraman, situada na Baía do_Brunei, que de facto viu desaparecer metade do território numa erupção vulcânica.

Leia o artigo na íntegra na edição impressa do SOL. Agora também pode receber o jornal em casa ou subscrever a nossa assinatura digital.