Economia

Pandemia já com impacto nos resultados da Caixa

Resultado caiu 31,6%, para 86,2 milhões, influenciado pelo reforço da imparidade de crédito e provisão para garantias bancárias de 60 milhões. 
 

O reforço de imparidades de crédito e provisões para garantias bancárias no montante de 60 milhões de euros «em antecipação dos efeitos expectáveis da crise económica» já tiveram impacto nos resultados da Caixa Geral de Depósitos que, no primeiro trimestre do ano, viu o seu lucro cair 31,6%, para 86,2 milhões de euros.

A instituição financeira liderada por Paulo Macedo esclareceu ainda que «o resultado reflete os primeiros impactos económicos resultantes da pandemia de covid-19, que se começaram a sentir apenas na segunda quinzena de março. As medidas resultantes da declaração de estado de emergência originaram uma redução da transacionalidade e da procura de crédito, quer por empresas, quer por particulares».

Caso contrário, segundo o presidente do banco público, a Caixa teria registado um lucro «ligeiramente acima ou em linha com o do ano passado», altura, em que registou 126 milhões de euros.

A margem financeira caiu 7,3% para 262,8 milhões de euros, enquanto as comissões aumentaram 4,1% para 122,5 milhões de euros. No entanto, o banco público admitiu que a «atividade comercial será, naturalmente, afetada, esperando-se uma redução da receita de comissões, devendo a margem financeira comportar-se dentro do estimado».

Por sua vez, o crédito a clientes caiu 5,7% para 48 mil milhões de euros. «De referir que, influenciado pela conjuntura adversa no final do primeiro trimestre do ano, o ritmo de crescimento da nova produção registou um abrandamento», afirmou. Já os depósitos aumentaram 3,9% para 67,5 mil milhões de euros, «evolução essencialmente justificada pela captação da CGD Portugal».

No que diz respeito ao rácio de malparado (NPL), este atingiu os 4,5% no final de março, com o rácio líquido de imparidades a fixar-se nos 0,7%. O banco revela que a atuação no malparado levou a uma redução de oito mil milhões de euros (-76%) desde dezembro de 2016, o que levou Paulo Macedo a garantir que «o rácio de capital total está nos 19,2%, um dos melhores em Portugal».

O banco público fechou março com 7.066 trabalhadores na atividade doméstica, menos 34 do que no final do ano passado, e 551 unidades comerciais (incluindo agências, espaços Caixa e gabinetes de empresas), mais três do que em final de 2019.

No entanto, nesta fase de pandemia, o banco público garantiu que 99% das 551 agências e gabinetes de empresa permaneceram abertos durante o estado de emergência, retomando os 100% no final de abril. «A CGD tem demonstrado capacidade de resposta a este cenário de crise, seja na proteção de colaboradores e clientes, seja na continuidade das suas operações e das linhas de negócio», referiu. 

 

Antecipação de pagamentos vs moratórias

A instituição financeira revelou também que antecipou o pagamento de 20 milhões de euros às pequenas e médias empresas (PME) suas fornecedoras, para mitigar as dificuldades de tesouraria geradas pelo impacto da covid-19.

A Caixa tinha, na última segunda-feira, pedidos de 54 mil clientes para moratórias de crédito, disse hoje o administrador José de Brito na apresentação dos resultados do primeiro trimestre. Segundo o responsável, até segunda-feira, o número de pedidos de clientes elegíveis era já de 47 mil, com um valor total de capital dos créditos de 5,7 mil milhões de euros.

Dos clientes elegíveis para moratórias, até à mesma data, tinham já sido aprovados pedidos de 38 mil clientes, cujos empréstimos totais ascendem a 4,7 mil milhões de euros.

José de Brito explicou que cada cliente pode pedir moratórias para vários créditos (por exemplo, crédito à habitação e crédito automóvel), pelo que os dados da CGD podem não ser diretamente comparáveis com os de outros bancos.

Desde final de março está em vigor a lei que permite a suspensão dos pagamentos das prestações de créditos à habitação e créditos de empresas (capital e/ou juros) por seis meses, de abril a setembro, estando a ser estudada pelo Governo a hipótese de essas moratórias serem estendidas.

 

Dividendos suspensos 

A CGD voltou a confirmar que vai seguir a recomendação do Banco Central Europeu (BCE) e que proporá na assembleia-geral que não sejam distribuídos ao Estado dividendos referentes a 2019, integrando esse montante em reservas. No Orçamento do Estado de 2020, o Governo previa que a CGD entregasse 237 milhões de euros em dividendos referentes a 2019. 

Também em marcha está a venda da operação no Brasil. Paulo Macedo não gostou das propostas pelo Banco Caixa Geral Brasil - a decisão de não aceitar as propostas foi aprovada esta sexta-feira em Conselho de Ministros -  e quer lançar novo concurso de alienação. O CEO lembrou que a venda «é um dos objetivos do plano estratégico», mas a própria autoridade de concorrência europeia já veio considerar que a operação não tem de ser feita a qualquer custo.