Internacional

Detido alegado genocida num bairro tranquilo em Paris

 Félicien Kabuga, um empresário de 84 anos, é suspeito de financiar as milícias hutu que massacraram cerca de 800 mil pessoas no Ruanda, em 1994 - terá importado grandes quantidades de machetes. 

Um suspeito genocida vivia há anos, incógnito e discreto, num bairro abastado nos subúrbios de Paris. Félicien Kabuga, de 84 anos, um empresário que terá financiado o genocídio de tutsis no Ruanda, em 1994, estava em fuga há mais de duas décadas, com uma recompensa de 5 milhões de dólares pela sua detenção. Foi detido pela Interpol e pelas secretas francesas, este fim-de-semana, após uma longa vigilância aos seus filhos. Os seus vizinhos, em Asnieres-sur-Seine, descreveram-no à Reuters como um idoso frágil e reservado.

Contudo, em tempos Kabuga foi um peso pesado nos negócios e na política ruandesa. Antes do genocídio, era um dos homens mais ricos do país, dono de boa parte das suas fábricas, plantações de chá e café. Era um aliado próximo do ditador Juvénal Habyarimana, casado com uma das suas filhas, cujo assassinato, alegadamente levado a cabo pelos rebeldes tutsis liderados pelo atual Presidente Paul Kagame, despoletou o genocídio de cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados. Outra filha de Kabuga era casada com Augustin Ngirabatware, um ministro que seria condenado a 30 anos de prisão pelo genocídio.

Não que Kabuga seja acusado apenas por cumplicidade, atenção. O empresário era dono Radio Television Milles Collines, que constantemente passava mensagens de ódio à minoria tutsi. Kabuga também terá financiado diretamente as milícias de jovens hutus que levaram a cabo o genocídio - chegando a importar uma enorme quantidade de machetes para as armar. As imagens das mutilações e massacres levados a cabo com essas armas em 1994, contra civis inocentes, dificilmente serão esquecidas pelo público mundial. 

"São muito boas notícias que alguém que planeou e financiou o genocídio, e se tem estado a esconder à tanto tempo, tenha sido detido. São boas notícias para todos, especialmente os sobreviventes", disse Valerie Mukabayire, líder da AVEGA, um grupo de mulheres sobreviventes do genocídio, citada pela Reuters.