Internacional

Estudo diz que é mais provável contrair covid-19 num centro de refugiados do que num cruzeiro

Este relatório foi divulgado um dia depois de, num centro de receção de pedidos de asilo, 130 dos 300 refugiados terem testados positivo para a covid-19.

Um estudo realizado na Universidade de Bielefeld (oeste da Alemanha) alertou esta terça-feira, dia 19 de maio, que o risco de se contrair covid-19 num centro de refugiados no país é igual ou superior ao que se está exposto num cruzeiro.

O documento, divulgado pela cadeia de televisão pública regional SWR, alerta também para as possíveis consequências da alta densidade de população nos centros de acolhimento dos refugiados.

Segundo o estudo, os investigadores analisaram 23 dos centros existentes no país e referem ter chegado à conclusão de que a elevada taxa de infeção se deve à impossibilidade de manter a distância de segurança e as normas de higiene.

Tal como já tinham denunciado numerosas organizações nas últimas semanas, nestes centros, que chegam a acolher centenas de pessoas que partilham zonas comuns, é habitual que várias famílias se vejam obrigadas a conviver numa mesma habitação.

Os idosos e as pessoas com patologias crónicas não têm a possibilidade de se isolar e têm de partilhar as casas de banho e os refeitórios com os restantes residentes.

"Se não queremos que haja novos focos do novo coronavírus com o risco de infeção de um cruzeiro, as autoridades competentes deveriam facilitar, com urgência, um alojamento em conformidade com as normas de proteção", destacou o responsável pelo estudo, Kayvan Bozorgmehr.

O relatório foi divulgado um dia depois de, num centro de receção de pedidos de asilo, nos arredores de Bona (oeste da Alemanha), 130 dos 300 refugiados que lá aguardam por uma resposta foram testados positivo para a covid-19.

Embora não haja ainda estatísticas oficiais, os alojamentos coletivos em todo o país têm ajudado a aumentar os casos do novo coronavírus, com a consequência adicional de muitos dos refugiados serem obrigados a cumprir nova quarentena sempre que se deteta um novo caso.

O mal-estar face à situação e o medo de contágio tem provocado vários protestos espontâneos em diversos centros de refugiados, exigindo uma melhoria das condições higiénicas e também o fim da transferência de pessoas infetadas provenientes de outros centros de acolhimento.

Diversas organizações não-governamentais, bem como o partido político Os Verdes, têm exigido às autoridades medidas para descongestionar os centros de acolhimento.

De acordo com os dados mais recentes, a Alemanha registou até hoje 175.210 casos de contágio pelo novo coronavírus e 8.007 vítimas mortais, embora a pandemia esteja a dar sinais de contenção, uma vez que o país registou pelo décimo dia consecutivo menos de mil infeções diárias.