Economia

BCP. Lucros caem 77% para 35,3 milhões no 1.º trimestre

Banco liderado por Miguel Maya revelou que já aprovou mais de 100 mil moratórias de crédito no contexto da pandemia de covid-19.

Os lucros do BCP caíram 77,1% para 35,3 milhões de euros nos três primeiros do ano, o que representa uma diminuição face aos 153,8 milhões de euros do mesmo período do ano passado, refletindo os efeitos da pandemia. A instituição financeira liderada por Miguel Maya explica que estes resultados são “influenciados por provisões covid-19 de 78,8 milhões de euros”.

De acordo com o banco, "a quebra face aos 153,8 milhões de euros apurados no trimestre homólogo do ano anterior decorreu em grande parte do aumento de 98,3 milhões de euros evidenciado pelas outras imparidades e provisões, que incluem também o reforço da provisão extraordinária constituída para os processos relacionados com os créditos à habitação concedidos em francos suíços pela subsidiária polaca”, diz, em comunicado. 

Miguel Maya revelou, no entanto, que o banco mudou de estratégia em tempos de pandemia. “Mudámos o foco do crescimento para a defesa do balanço. A defesa do banco passou a ser principal preocupação, sublinhou. Sem as provisões, o resultado teria sido de cerca de 104 milhões de euros.

A margem financeira do banco cresceu 6,3% para 385,5 milhões de euros. As receitas com comissões cresceram quase 8% para 179,8 milhões de euros, com Miguel Maya a justificar este desempenho com o alargamento da base de clientes.

Ainda assim, o produto bancário estabilizou nos 597,8 milhões de euros. Já o crédito a clientes aumentou 8,1%, atingindo os 52,5 mil milhões de euros no final de março, enquanto os depósitos subiram 8,9% para 62 mil milhões.

As comissões líquidas avançaram 7,9% para 179,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, “impulsionado pelo bom desempenho quer da atividade em Portugal, quer da atividade internacional”. 

Por sua vez, os custos operacionais, excluindo o efeito dos itens específicos, totalizaram 276,9 milhões de euros nos primeiros três meses de 2020, tendo aumentado 9,4% face ao período homólogo, enquanto os recursos totais de clientes aumentaram 6,2% face aos 75286 milhões de euros apurados em 31 de março de 2019, ascendendo a 79955 milhões de euros no final de março de 2020.

Mais de 100 mil moratórias

Já foram aprovadas 100400 moratórias de crédito a famílias e empresas no âmbito das medidas de apoio à economia no contexto da pandemia de covid-19. Nas empresas foram aprovadas mais de 23700 moratórias e nas famílias o número supera as 76700 moratórias.

Miguel Maya reconheceu que, depois de alguma demora no arranque, o que no seu entender, foi feita por base “no interesse dos clientes”, mas já veio admitir que o banco “foi muito rápido a fazer a operacionalização das moratórias” quando o seu modelo foi conhecido.