Opiniao

Por que haveria a China de matar os clientes?

E não estava Wuhan cheia de empresas europeias? E de serviços secretos de tantos países? Durante três ou quatro dias, as autoridades locais, por ignorância ou medo da varridela que viria, tentaram resolver o problema in loco. 

No combate ao coronavírus, o governo chinês fez o que devia ter feito. Internacionalmente e internamente. Entrou logo em força, fechou uma província com 80 milhões de habitantes... na véspera do Ano Novo Chinês. Foi  como se o nosso governo proibisse  o arraial do arraial do Avante!. Não hesitou. ‘Vão-se os anéis, fiquem os dedos’, que a população não lhe perdoaria.  

Sequenciaram o genoma do vírus num tempo recorde, divulgando-o imediatamente em ... 7 de janeiro!    E por isso  a calma perante a vergonha de dirigentes europeus quererem usá-la como bode expiatório de culpas próprias. Ato estúpido, em   que António Costa felizmente não incorreu. 

E não estava Wuhan cheia de empresas europeias? E de serviços secretos de tantos países? Durante três ou quatro dias, as autoridades locais, por ignorância ou medo da varridela que viria, tentaram resolver o problema in loco. Mas, assim que o poder central percebeu do que se tratava, enviou para combater o foco da infeção a mais reputada virologista chinesa, general do Exército, que declarou: «Isto combate-se como numa guerra».

Ao invés, a OMS, que esteve lá desde o princípio e mesmo antes, desvalorizou a epidemia, contrariando ou obscurecendo as evidências expressas pelo Governo chinês. Não atuaram logo Macau, Taiwan, Coreia do Sul e Japão?

Quando o vírus já tinha infetado 45 pessoas na Europa, cerca de 30 especialistas reuniram-se em 18 e 19 de fevereiro (repare-se nas datas) no Centro Europeu para o Controlo e Prevenção de Doenças, em Solna, na Suécia.  De acordo com as actas a que o El País teve acesso, concluíram que os casos verificados até à altura «parecem ser leves, são poucos e estão detectados». Por essa razão, classificaram o risco para a população como «baixo» e para os sistemas de saúde europeus como «baixo a moderado».

O chefe do organismo, Mike Catchpole [ainda...], destacou que «o vírus se transmite muito bem», mas não convenceu os colegas. Os peritos austríaco e eslovaco temiam que se gerasse medo entre a população; e o representante espanhol falou no risco de «estigmatizar» os submetidos ao teste. Vão-se os dedos mas fiquem os negócios.,.

No mesmo encontro, foram discutidos os critérios para que uma pessoa fosse testada. Foi assumido  que  só deveria acontecer se essa pessoa tivesse estado em Wuhan. Como relembra o El País, estes critérios só viriam a ser alterados depois das primeiras mortes em Itália.

O jornal espanhol contactou especialistas a quem forneceu as referidas atas, e o veredicto foi unânime: a pandemia não foi levada a sério, «o vírus foi subestimado». «Mesmo com o que se sabia na altura, é possível ver que não se valorizou o suficiente a capacidade de transmissão do vírus, nem o impacto que podia ter nos viajantes internacionais», foi a conclusão. 

E agora? Irão pedir desculpa à ‘terrível ditadura’ chinesa?  Não faria qualquer sentido a China ‘exportar’ o vírus para o  Ocidente,  matando os clientes que sustentam a sua economia.