Sociedade

Os negócios na sombra de Carlos Santos Silva

A NOW XXI está no centro de novas teias de interesses. Criada em 2017, tem na sua liderança homens da confiança do amigo de José Sócrates e rapidamente alcançou um volume de negócios de milhões.

por Carlos Diogo Santos e Felícia Cabrita

Um ex-funcionário de Carlos Santos Silva, o célebre amigo do ex-primeiro-ministro José Sócrates, está agora ligado a uma empresa que tem concorrido e ganho uma série de concursos públicos, que ascenderam a cerca de 15 milhões de euros nos últimos dois anos. Além disso, é agora sócio de Santos Silva numa empresa de projetos de engenharia.

Os negócios de Carlos Santos Silva, que o Ministério Público acusa de ser testa-de-ferro de Sócrates, foram escrutinados no âmbito da operação Marquês, mas são vários os alegados interesses cruzados que continuaram a existir para além das páginas da acusação. A NOW XXI será um desses casos. É uma empresa liderada por homens de confiança de Carlos Santos Silva, que tem sido selecionada em concursos públicos por muitas das entidades públicas que por norma trabalham com as empresas que estão ou estiveram ligadas à esfera do amigo de José Sócrates. Existem, inclusive, numerosos circuitos financeiros entre o homem que surge como dono da NOW XXI e a Proengel, fundada por Santos Silva.

Mas vamos por partes. Segundo o SOL apurou, a NOW XXI celebrou desde que foi criada, em 2017, contratos com o setor público a rondar os 15 milhões de euros – quase metade em contratos com as câmaras de Covilhã, Amadora, Seixal e Belmonte, a EPAL e a Santa Casa da Misericórdia da Covilhã. Num destes casos o contrato foi celebrado não só com a NOW XXI, mas com um consórcio de que esta fez parte com a Fortunato Canhoto, que, por sua vez, integrava noutro caso um consórcio com a empresa Tanagra – sociedade que vai a jogo várias vezes com a NOW XXI e que em outros procedimentos aparece como concorrente.

Oficialmente, a NOW XXI – Engenharia e Construções LDA é detida em mais de 30% por António Fernandes, que já depôs no processo Marquês como testemunha e que é sócio de Santos Silva na Oficina de Engenheiros, Lda. António Fernandes trabalhou para a Proengel – fundada  por Carlos Santos Silva – até pelo menos 2015, recebendo dinheiro para alegadamente fazer lobbying na Argélia. Fernandes criou de seguida a NOW XXI no início de 2017 – pouco depois do prazo anunciado pelo ex-diretor do DCIAP para a conclusão da acusação do caso Marquês, 15 de setembro de 2016 (data que viria a não ser cumprida, uma vez que a acusação apenas foi proferida em outubro de 2017).

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