Economia

Empresas que trabalham com prazos de 120 dias triplicam

Empresas que trabalham a 120 dias já são 13% do total. Apenas 27% das empresas opera com os prazos inferiores aos 60 dias contemplados no decreto-lei de transposição da diretiva europeia de medidas de luta contra os atrasos de pagamento nas transações comerciais.

O atual contexto económico está a provocar um agravamento dos prazos de pagamento nas operações comerciais, conclui o estudo da gestão de risco de crédito em Portugal, impulsionado pela Crédito y Caución, Iberinform e Gestifatura.

Segundo este estudo, no qual participaram mais de 300 gestores de empresas de todas as dimensões e setores, 13% das empresas trabalha com mais de 120 dias, uma taxa que praticamente triplica face a 2019. Apenas 27% das empresas opera com os prazos inferiores aos 60 dias contemplados no decreto-lei de transposição da diretiva europeia de medidas de luta contra os atrasos de pagamento nas transações comerciais. Há um ano, praticamente metade do tecido empresarial (42%) trabalhava com menos de 60 dias

Este relatório indica que 85% das empresas têm que aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados para poder manter a sua carteira de clientes. O estudo revela pior comportamento nas pequenas e médias (PME) empresas do que nas grandes empresas. 37% das empresas teve de aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados por parte de grandes empresas, frente a 58% que teve que alargar os prazos para trabalhar com o segmento de PME. “Este comportamento está relacionado com outras evidências reveladas pelo estudo, como o aumento dos problemas de liquidez do tecido empresarial”, refere o relatório.

O melhor comportamento regista-se no setor público: apenas 8% das empresas que têm relações comerciais com a administração pública tem de aceitar uma extensão dos prazos de pagamento. A capacidade dos profissionais liberais para impor prazos de pagamento também se situa nos 28%.

“Ao abordar as razões que explicam a morosidade empresarial, a falta de disponibilidade de fundos (77%) é a razão mais referida, antes do atraso intencional dos clientes (46%). A complexidade dos procedimentos de pagamento (9%), a emissão de faturas incorretas (2%) ou as disputas sobre a qualidade dos bens e serviços fornecidos (1%) completam os motivos apresentados pelos clientes para atrasar os seus pagamentos”, conclui o estudo.