Economia

Hotelaria estima entre 3,2 e 3,6 mil milhões de receita perdida este ano

Mais de 90% das empresas de hotelaria recorreram ao layoff.

Hotelaria estima entre 3,2 e 3,6 mil milhões de receita perdida este ano

Os efeitos da pandemia não deixam margem de dúvidas no que diz respeito ao setor turístico. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) aponta para perdas de receita entre os 3,2 e os 3,6 mil milhões de euros este ano, bem como menos 24,8 a 46,4 milhões de dormidas. Os dados foram revelados pela presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, durante a apresentação da terceira fase do inquérito “Impacto da covid-19 na Hotelaria”, realizado entre 15 e 29 de maio junto dos associados. “Não temos dúvidas de que para a hotelaria será um ano perdido”, admitiu a responsável.

No entanto, de acordo com a responsável, este cenário “não significa, no entanto, que não haja reservas e que não haja movimento durante este verão, mas não nos iludamos: não vamos ter ainda este verão nada que nos faça pensar em retoma efetiva. Há uns balões de oxigénio”, acrescentou.

Apesar de haver uma expectativa positiva para o último trimestre do ano, segundo a AHP, com mais de 50% das unidades hoteleiras associadas a estimarem já ter todos os seus serviços em funcionamento nessa altura, estará sempre presente uma redução de capacidade entre 50% e 80% .

De acordo com o inquérito, o investimento mensal em medidas extra de higiene e segurança é, em média, de 3.818,04 euros por hotel e de 40 euros por quarto, isto é, quase 50 mil euros anuais de acréscimo de despesas só com a implementação destas medidas.

Para a maior parte dos inquiridos, as condicionantes ao trafego aéreo são o principal constrangimento à sua operação (28,36%), seguindo-se o medo de viajar (23,76%). “Vamos andar todos a batalhar por um lugar ao sol no caso do transporte aéreo, mas, de facto, não é a concorrência de outros países que nos aflige”, admitiu Cristina Siza Vieira.

Já em relação a preços, 20% dos inquiridos admitiu que vai mantê-los idênticos ou um pouco inferiores aos praticados até agora. “Não, não vai haver saldos na hotelaria”, sublinhou Cristina Siza Vieira, explicando que os custos de operação vão crescer e que, por isso, a intenção, no grosso da hotelaria, é de que o preço se mantenha.

Layoff em massa

A AHP anunciou também  que mais de 90% das empresas de hotelaria recorreram à medida de apoio layoff simplificado, para fazer face aos efeitos da pandemia de covid-19 na sua atividade.

Dos 90,27% de empresas que recorreram a este regime, 95% suspenderam o contrato de trabalho a pelo menos metade dos seus trabalhadores, segundo o inquérito.
No entanto, das empresas que recorreram à medida, 12% admitiu ter suspendido o contrato de trabalho a todos os seus trabalhadores.

Dos 9,73% de empresas que não recorreram ao layoff, 99% não despediu qualquer trabalhador.
No entanto, 25% destas empresas admitiu ter dispensado até 5% dos seus trabalhadores que estavam em regime experimental e 36% das empresas não renovaram contratos a termo a até 5% dos seus trabalhadores.

A maior parte das empresas que recorreram a esta medida do Governo de apoio à economia, requereu de imediato o período máximo de três meses (65%).

Dos inquiridos que recorreram ao layoff, 75,22% disse estimar alterar o regime em que se encontram os trabalhadores, por exemplo de suspensão de contrato de trabalho para redução do horário normal, enquanto apenas 25% estimam manter os trabalhadores naquele regime durante todo o tempo em que este puder vigorar.

Quase todos os inquiridos (98%) considerou necessárias medidas extraordinárias de apoio ao turismo, por parte do Governo, sendo a mais pedida o ‘lay-off’, seguido de medidas de apoio fiscal, apoio para aquisição de equipamento de proteção individual e financiamentos a fundo perdido.

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