Internacional

Juan Carlos investigado no caso "TGV do deserto"

O Supremo Tribunal espanhol quer averiguar se os alegados crimes de corrupção do antigo rei ocorreram antes ou depois de perder a sua imunidade, quando abdicou do trono em 2014. 

O Supremo Tribunal espanhol abriu uma investigação ao antigo rei Juan Carlos, que abdicou em 2014, após uma série de escândalos de corrupção envolvendo a família real. Desta vez, o escândalo envolve a construção de uma linha de TGV entre as cidades santas muçulmanas de Meca e Medina, na Arábia Saudita, também conhecido como TGV do deserto, cujo contrato foi entregue a empresas espanhola. Dado que até 2014 o monarca estava protegido por imunidade, um dos focos da investigação é averiguar se os alegados crimes de Juan Carlos ocorreram depois dessa data.

As suspeitas sobre o antigo rei surgiram em 2015, quando um antigo comissário da polícia espanhola, José Manuel Villarejo, gravou uma amiga pessoal de Juan Carlos, a aristocrata Corinna Larsen, a explicar-lhe que o antigo rei mantinha uma rede de testas-de-ferro, que guardavam milhões de euros, entregues por um consórcio de doze empresas espanholas, a troco do contrato do "TGV do deserto". Entretanto, paralelamente, a justiça suíça abriria uma investigação às contas do ex-monarca espanhol, geridas por Arturo Fasana, que admitiu que Juan Carlos "é uma pessoa muito apreciada nos países do Golfo", numa declaração citada pelo jornal espanhol Publico. Mencionando o seguinte episódio: "[Juan Carlos] veio de Abu Dhabi para a minha casa em Genebra. Queria almoçar comigo. Disse-me que tinha recebido 1,9 milhões [de euros] do sultão do Bahrein". 

Agora, o ponto central das discussão é se essas ações suspeitas do antigo rei ocorreram depois ou antes de perder imunidade. Mas a sua reputação já foi tão manchada pelas alegações que o seu próprio filho, o rei Filipe VI, acabaria por abdicar da herança milionária do pai quando este abdicou do trono.