Economia

Banco Mundial estima recessão de 5,2% este ano

Entidade liderada por David Malpass diz que esta será a recessão mais profunda desde a II Guerra Mundial, caso as previsões se confirmem.

O impacto da pandemia de covid-19 na economia mundial com as medidas usadas para combater a pandemia vão causar uma “contração drástica” na economia com o Banco Mundial a prever uma recessão mundial de 5,2% já este ano, que será a mais profunda em 80 anos, “apesar das políticas sem precedentes” de mitigação.

Segundo as Perspetivas Económicas Mundiais divulgadas ontem, caso estas estimativas se confirmem, “esta seria a recessão mundial mais profunda desde a II Guerra Mundial e quase três vezes tão acentuada como a recessão global de 2009”.

A entidade liderada por David Malpass estima ainda uma queda de quase 8% num cenário adverso e superior a 3% num cenário mais otimista. 

Mas as previsões pouco animadoras continuam: o Banco Mundial prevê quebras de 7% no agregado das economias avançadas, como a zona euro com uma quebra de 9,1% e os Estados Unidos e Japão, ambos com quebras de 6,1%.

Para 2021 projeta-se uma recuperação, ainda que a passo, da economia mundial: prevê-se que as economias avançadas cresçam 3,9%. A zona euro deverá crescer 4,5%, os Estados Unidos 4% e o Japão 2,5%.

No relatório ontem divulgado, o Banco Mundial refere que a pandemia “deve arrastar uma maioria de países para uma recessão este ano, com a produção per capita a contrair na maior proporção de países desde 1870”.

“É projetado que as economias avançadas encolham 7% em 2020, dado que as abrangentes medidas de distanciamento social, o encolhimento agudo das condições financeiras e o colapso da procura externa deprimiram a atividade”, explica o banco.

O Banco Mundial deixa ainda um alerta e “assume que a pandemia retrocede de tal forma que as medidas de mitigação doméstica podem ser levantadas a meio do ano, que as repercussões adversas globais abrandam na segunda metade do ano, e que as deslocações nos mercados financeiros não são duradouras”.

Ceyla Pazarbasioglu, do Banco Mundial, não tem dúvidas: “Esta é uma perspetiva profundamente preocupante, com a crise a deixar, provavelmente, cicatrizes duradouras e a colocar grandes desafios globais”, disse.

Para a instituição sediada em Washington, “a quebra de atividade acentuada na primeira metade do ano deverá contribuir para uma contração do comércio global de cerca de 13,4% em 2020”. 

Já a retoma da economia deverá ser “historicamente fraca, refletindo o caráter excecional da atual crise, bem como a duração temporal que levará a recuperação da confiança, para substituir empresas falidas, e para estabelecer ambientes de trabalho e entretenimento ‘virus-safe’”.

Recorde-se que, em entrevista, Davil Malpass já tinha alertado que as perdas para a economia mundial serão "abissais".

“Os países devem enfrentar a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Isso deve forçar as pessoas a preocuparem-se com as consequências para os pobres, para os mais vulneráveis”, disse Malpass em entrevista à AFP.

O responsável alertou ainda que apesar de, em termos de percentagem, as economias mais avançadas poderem ser aquelas que vão ter recessões piores, “os países mais pobres vão enfrentar as contrações mais perigosas porque já estavam no limiar da pobreza antes da pandemia”.