Economia

BCE. Retoma económica poderá ocorrer já em julho

Instituição liderada por Christine Lagarde diz que desconfinamento ainda não está a ter impacto na economia e estima que o excesso de liquidez tenha atingido quase dois mil milhões de euros.

A retoma económica da zona euro poderá já ocorrer em julho. Pelo menos, é esta a perspetiva do Banco Central Europeu (BCE), apesar de admitir que atualmente o cenário económico ainda não estar a refletir os esforços levados a cabo pelos vários países no que diz respeito ao desconfinamento. “Apesar de a maior parte dos países já terem começado a aliviar as medidas rigorosas de confinamento desde o início de maio, os dados mostram apenas melhorias modestas na atividade. O consumo de eletricidade e os indicadores de mobilidade, por exemplo, recuperaram apenas de forma modesta”, disse no boletim económico.

De acordo com a instituição liderada por Christine Lagarde prevê que a economia da Zona Euro registe uma contração de 8,7% em 2020, seguida de uma recuperação de 5,2% em 2021 e de 3,3% em 2022 no cenário base. No cenário mais severo, o PIB pode cair até aos 12,6%, com uma recuperação de 3,3% em 2021 e de 3,8% em 2022.

“A intensidade do choque causado pelo Covid-19 e o tamanho da resposta orçamental causaram uma drástica deterioração e heterogeneidade nas posições orçamentais”, alerta, apontando especialmente para países com uma dívida acima de 100% do PIB. Um desses casos é Portugal que, no ano passado, terminou com uma dívida de 117,7% do PIB e, segundo as projeções do Governo, poderá atingir um valor recorde de 134,4% este ano.

Excesso de liquidez

O BCE revelou ainda que o excesso de liquidez atingiu 1956 mil milhões de euros entre 18 de março e 5 de maio devido às injeções de capital e aquisições de dívida que foram efetuadas para travar os efeitos da pandemia. De acordo com os dados do boletim económico, este valor é 205 mil milhões de euros superior ao do período de referência anterior, de 29 de janeiro a 17 de março de 2020.

O excesso de liquidez é a liquidez disponível no sistema bancário que excede as necessidades dos bancos comerciais e é calculado como a soma dos saldos das contas correntes que excedem as reservas mínimas obrigatórias e o recurso à facilidade permanente de depósito menos o recurso à facilidade permanente de cedência de liquidez.

Recorde-se que em março, o BCE concordou em efetuar aquisições temporárias de ativos líquidos no valor de 120 mil milhões de euros até ao final do ano. Ao mesmo tempo, anunciou um programa de compra de dívida de emergência para travar os efeitos da pandemia, num total de 750 mil milhões de euros, que em junho foi aumentado em 600 mil milhões de euros (1350 mil milhões de euros no total) e estará em vigor pelo menos até ao final de junho de 2021.

As necessidades diárias de liquidez do sistema bancário foram, em média, de 1694 mil milhões de euros entre 18 de março e 5 de maio de 2020. Este montante total é superior em 161,6 mil milhões de euros face a igual período do ano passado.